Cap. 10 (pov. Harry)
Não pude deixar de notar o quão linda Carolina estava quando
ela foi nos ver ensaiar, me senti ridículo dançando em sua frente e até falei
que me sentia desconfortado, mas todos ignoraram minha queixa. Então decidi ser
imprudente e dançar descaradamente com Alex, percebi que Carolina nos ignorava
por completo, bem quase, vi ela encarando meu bumbum e sorri sem que ela visse,
era estranho ver como ela era controlada e mal deixava transparecer o que
sentia. Porém no intervalo da dança as escutei falando sobre Scott e a noite de
Carolina com ele, a súbita raiva me subiu e eu tentei não escutar mais nada e
consegui, só não consegui deixar de ouvir pela primeira vez em muitos anos
Carolina rir, uma gargalhada audível, e aquilo iluminou meu dia. Quando
finalmente a dança acabou fui direto para fora do teatro acompanhando os passos
rápidos de Carolina, seu salto estalava no chão e seu rebolar estava me
hipnotizando, quando saímos para fora do prédio Alex estava me esperando,
revirei meus olhos, não podia perder Carolina de vista, queria falar com ela.
_Agora não Alex. – falei levantando a mão para que ela nem
abrisse a boca, a garota me olhou furiosa, mas se virou e foi até seu carro.
Praticamente corri para alcançar Carolina que estava
destravando o carro, segurei sua cintura e a virei para mim, por um momento
percebi que ela corou, mas esse momento demorou pouco, pois seu rosto se tornou
mais uma vez uma mascara de cera, livre de emoções á não ser a raiva.
_O que pensa que está fazendo? – ela chiou.
_Podemos conversar? – perguntei pedindo aos céus para que
ela não perguntasse muita coisa.
_Eu preciso trabalhar. – ela murmurou amarga.
_Por favor. – insisti e recebi um olhar espantado por
aquelas palavras que eu jamais disse á Carolina por longos anos.
_Já que pediu tão educadamente. – ela se dirigiu para seu
carro entrando dentro dele, não entendi direito, então Carolina abriu o vidro e
gritou lá de dentro. _Não vem Styles? – me apressei para dentro do carro, quando
fechei a porta senti o clima pesar. _O que tem para me falar vai demorar muito?
– ela perguntou.
_Acho que vai. – falei indeciso, eu ainda não sabia o que
falar.
_Acha que vai. – ela murmurou para si mesma dando partida no
carro, enquanto trafegávamos pelas ruas de Londres Carolina pediu. _Pegue meu
celular na bolsa nos seus pés e disque o primeiro numero, depois coloque em
cima desse suporte para que fique em viva-voz.
– e assim eu fiz sem dizer uma palavra sequer, o telefone tocou duas
vezes e a voz irritante de Jannet soou do outro lado.
_Carolina? – ela perguntou.
_Não meu pai morto. – Carolina rebateu sem nenhum vestígio
de humor. _Claro que sou eu.
_Desculpe. – Jannet disse como uma criança errante.
_Só desmarque meus compromissos de hoje, sei que é pouca
coisa. – Carolina pediu da forma mais profissional.
_Tem um problema. – Jannet falou e Carolina revirou os
olhos.
_Por Deus diga logo que problema é esse. – Carolina falou
com voz plana, mas que me deu arrepios e tive pena da pobre Jannet.
_Você tem um... – Jannet tossiu como se limpasse a garganta.
_Está sozinha no carro? – perguntou e Carolina bufou.
_Não que seja da sua conta, mas tenho alguém comigo no carro,
agora me diga o problema.
_Você tem um encontro com Scott hoje no final da tarde, me
pediu para que eu te lembrasse. – Jannet terminou de falar e eu meio que me
senti doente, não queria saber que eles teriam um encontro romântico.
_Não é um encontro. – Carolina falou. _Hoje ele vai assinar
com a Vogue se bem me lembro e eu só pedi para que você colocasse como encontro
porque era importante. – me senti aliviado, mas nem tanto com as palavras da
garota ao meu lado.
_Então não existe problema. – Jannet falou pratica.
_Obrigada Jan... – Carolina começou a falar, mas a voz da
secretaria foi mais rápida e aguda.
_Mal lhe pergunte, quem está com você no carro? – ela perguntou
e eu desejei que ela não tivesse feito aquela pergunta.
_Não é da sua maldita incumbência. – Carolina rosnou e
desligou o celular.
_Tenho pena dela. – murmurei encarando a janela vendo a
paisagem mudar e percebi que estava indo para casa de Carolina.
_Não tenha. – Carolina rebateu. _Agora disque o segundo
numero. – fui fazer o que ela disse, mas percebi que era o numero de Scott.
_Por que vai ligar para ele? – perguntei deixando um pouco
de tristeza escapar por minha voz.
_Porque ele merece saber para onde estou indo e com quem. –
ela falou pratica e não tendo mais argumentos eu disquei o numero de Scott, um único
toque e ele atendeu.
_Adoro saber que você quer falar comigo no meio do dia. –
Scott falou docemente quase me fazendo vomitar.
_Querido. – Carolina falou, com aquela voz que arrepia cada
parte de seu corpo por tamanha é a delicadeza das palavras que faz parecer que
sua pele está sendo coberta por seda pura. _Estou indo para a casa.
_Você está bem? – ele perguntou parecendo realmente
preocupado, parecendo Carolina quando me atendeu.
_Só tenho que conversar com Harry, alias ele está no carro
agora. – ela disse como se fosse a coisa mais pratica do mundo.
_Tem certeza que quer fazer isso? – Scott perguntou como se
fosse algo terrível conversar comigo.
_Ele quer falar. – ela murmurou.
_Então você não vem me ver assinar o contrato? – ele perguntou
como se tivesse ficado triste repentinamente.
_Não. – Carolina falou agora com aquela voz controlada e eu
me perguntava como ela conseguia ser assim com ele. _Mas prometo que vamos
comemorar. – ela forçou uma voz animada e obteve sucesso, menos no sorriso que
não apareceu.
_Podemos ir naquele bar que você sempre quis ir? – Scott falou
como se pedisse permissão.
_Tudo que você quiser querido. – ela falou e avistamos o
portão da grande propriedade de Carolina. _Agora eu preciso ir.
_Eu te amo. – Scott falou como se fosse verdade e me ocorreu
que era.
_Eu também. – Carolina murmurou desligando o celular, ela
soltou um longo suspiro como se estivesse cansada.
Abriu sua janela e esticou a mão para digitar um código,
quando o acesso foi permitido ela dirigiu lentamente até a porta de sua casa,
onde novamente ela digitou um código na porta, quando a porta foi aberta duas
empregadas saldaram nossa entrada com acenos de cabeça e voltaram a limpar a
casa, Carolina seguiu até a cozinha e sua expressão ficou tensa.
_Melline! – ela gritou me pegando de surpresa. _Melline! –
ela chamou mais uma vez e foi a passos largos para a sala onde as duas
empregadas disseram que Melline havia saído, Carolina assentiu e foi para a
cozinha mais uma vez, só que dessa vez foi para detrás do balcão e pegou alguns
ingredientes. _Enquanto faço nosso almoço você me fala o que quiser.
_O que eu quiser falar? – perguntei saboreando aquela frase,
eu sempre conseguia falar o que eu queria.
_Diga o que quiser. – Carolina falou pegando uma travessa de
vidro quadrada.
_Você está linda. – falei sem medo. _Não só hoje, mas todos
os dias, é uma beleza sem igual, e o pior é que eu não posso desfrutar dessa
beleza por conta das minhas burradas, sinto muito mesmo, eu queria voltar no
tempo e mudar aquilo que eu fiz, mas eu precisava ver o mundo eu precisava
testar o que ele me daria.
_E agora que provou tudo me quer de volta?! – Carolina disse
passando algo na travessa que parecia manteiga.
_Não é assim tão fácil eu sei, mas eu sei também que você
não ama Scott, e ele sabe disso também. – andei até detrás da bancada
alcançando Carolina, fiquei a poucos centímetros dela, sem ao menos tocar nela.
_Só quero que me diga uma coisa. – sussurrei. _Me diga que não quer me beijar
agora. – rocei meus lábios nos delas.
_Eu quero. – Carolina sussurrou. _Quero muito te beijar, mas
não posso. – ela tentou se afastar, porém eu fui mais rápido, segurei com uma
mão seus cabelos e com a outra sua cintura e grudei nossos lábios.
No começo os lábios de Carolina foram inflexíveis, mas
coloquei mais pressão no beijo ela abriu os lábios para receber minha língua,
senti o quanto Carolina era doce e o quanto sua língua era leve e formidável como
antes, como quando namorávamos, mas o sentimento foi interrompido quando ela se
afastou, seu peito arfava e percebi que eu também estava sem fôlego.
_Sente-se na bancada, vou terminar nosso almoço em pouco
tempo. – Carolina falou voltando sua voz plana. _Pode continuar falando.
E eu falei, falei o quanto sentia falta dela, falei que
sentia raiva de como era com Scott, sempre sendo um amor com ele, e me tratando
como se não existisse, eu falei que queria tentar de novo, falei que seria uma
pessoa diferente e pedi para que ela pensasse, Carolina por sua vez só escutou,
às vezes assentia e por fim ela só falou isso.
_O almoço está pronto.
Nós comemos, ás vezes a via me encarando por trás daqueles
longos cílios cobertos por rímel, muita maquiagem cobria aquele rosto que eu
havia visto poucas vezes desprovido daqueles produtos, e eu sabia o motivo de
tanta mascara, Carolina não queria se mostrar cansada ou abalada para ninguém e
aquilo eu respeitava, mas era bom de vez em quando saber que por trás daquilo
tudo, ainda tinha uma garota sonhadora, leitora e até mesmo triste, era
reconfortante saber que ela tinha sentimentos. Depois que nós saciamos nossa
fome com o arroz de forno de Carolina ela perguntou se eu queria ver um filme,
ela até deixou escapar que fazia anos que não se deitava em sua sala de cinema
e via alguns dos filmes antigos de seu pai. Eu não recusei de maneira alguma
seu convite, acabamos escolhendo ver “O fantasma da ópera”, nos sentamos no
divã e depois que o tempo passou me espantei quando Carolina deitou sua cabeça
sobre minha perna e chorou baixinho.
_Era o filme favorito dele. – ela sussurrou, e eu fiquei ali
passando a mão em seus cabelos tentando aliviar sua dor, mas não resisti e
colei meus lábios ao dela de forma leve como uma pluma. _Obrigada por ficar
comigo Style. – Carolina murmurou em meus lábios e se virou para encarar o
filme.
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