Cap. 09 (pov. Paula)
Carolina tinha me feito ver que meu emprego era importante
para minha estadia em Londres, mas isso não significava que eu queria ficar
perto de Zayn, coisa que Carolina não entendeu quando me levou para ver o
ensaio dos rapazes. Eu percebi que Zayn ficava me olhando e que eu não
conseguia mais me esconder por debaixo daquela camada densa de falta de
sentimentos, por debaixo do meu ego calculista e nem sabia mais como esconder
minhas emoções, já que Carolina ficava sempre murmurando que eu estava deixando
a mascara cair e que todos estavam vendo aquilo. Foi ótimo quando Helena,
Carolina e eu falamos bobagens como antigamente, mas eu ainda me sentia péssima
e ver Zayn me encarando não estava me deixando muito confortável. O ensaio
chegou ao fim e Carolina escapou para seus afazeres mesmo Helena insistindo
para que nos juntássemos á ela para almoçar, então eu meio que fiquei cansada e
tudo que eu queria fazer era ir para a universidade estudar até cair no sono á
tempo de ir para minhas aulas de noite. Enquanto andava rapidamente para meu
carro senti uma mão puxar meu ombro e eu enrijeci quando ouvi aquela voz.
_Preciso falar com você. – Zayn falou, eu continuei de
costas, pois senti algumas lágrimas me escaparem.
_Eu não quero escutar hoje. – falei mantendo minha voz
plana, mas as malditas lágrimas não paravam de descer por meu rosto.
_Mas eu preciso falar com você. – ele deu ênfase no
“preciso”.
_Agora não Zayn. – murmurei e senti um soluço subir por
minha garganta, coloquei as mãos sobre a boca para que o som não saísse, mas a
atitude foi falha.
_Paula o que você tem? – ele perguntou tentando virar meu
corpo, mas eu me fixei no lugar, só faltavam alguns passos para meu carro, eu
poderia correr, mas parecia que meu corpo estava preso por suas mãos que agora
estavam em meus braços.
_Só estou um pouco cansada. – falei novamente sentindo as
lagrimas queimarem minha garganta.
_É que eu... – Zayn começou a falar e senti suas mãos se
afrouxarem em meus braços, tomei uma profunda respiração e me virei para
encará-lo. _Sinto muito. – ele sussurrou.
_Pelo que? – perguntei sarcástica. _Estou ótima. – falei
sorrindo, um genuíno sorriso amargo que fez ainda mais lágrimas descerem por meu
rosto.
_Nunca te vi desse
jeito. – ele limpou algumas lágrimas com as costas da mão. _Eu sinto muito por
ter feito aquilo. – tirei suas mãos de meu rosto.
_Você realmente sente? – perguntei sarcástica estreitando
meus olhos.
_Sinto mais do que devia. – Zayn sussurrou com voz rouca
fazendo meu corpo inteiro tremer.
_Eu preciso ir. – falei me virando e andei a passos largos até
conseguir chegar ao meu carro, abri a maçaneta, mas a mão de Zayn já estava lá
para segurar meu pulso.
_E eu disse que preciso falar com você Paula, eu preciso
arrumar essa bagunça que se formou em minha cabeça, e eu preciso que você me
ajude. – ele falou ainda segurando meu pulso e o calor que aquele toque me
causou, irradiou uma leve onda de choques por todo meu corpo.
_Podemos marcar a consulta para mais tarde? – perguntei e
ele balançou a cabeça em negativa.
_É sério Paula, eu preciso que me escute e me ajude a
entender o que está acontecendo. – Zayn pediu e com um longo suspiro eu cedi
assentindo.
_Mas antes eu preciso comer alguma coisa. – falei com voz
fraca e senti minhas pernas fraquejarem, eu tinha comido pouco, tinha passado
nervoso o tempo em que estive acordada e quando toda adrenalina foi drenada do
meu corpo não aguentei e sucumbi ao chão, meus joelhos cederam e achei que
sentiria o impacto no asfalto, mas Zayn não deixou, segurando firme em meu
pulso com uma mão e com a outra segurou meu braço.
_Você está se sentindo bem? – ele perguntou me abraçando,
mas sua voz estava distante e fraca. _Paula. – ele me chacoalhou, mas nada
adiantou. _Paula! – Zayn gritou e eu cai na escuridão.
Acordei com barulhos de pacotes sendo abertos, de talheres,
e quando abri meus olhos me dei conta que estava deitada no sofá de Zayn,
encarei com a visão turva a televisão desligada, senti meus ossos fracos e
minha cabeça doía um pouco. Me sentei vacilante no sofá e de lá pude perceber
que alguém abria pacotes de comida, alias, Zayn era esse alguém. Ele estava
arrumando tudo em uma bandeja e quando pensei em me levantar ele correu com a
bandeja sala á dentro.
_Graças aos céus você acordou. – ele falou aliviado
colocando a bandeja na mesa de centro, vi que era comida instantânea, mas não
liguei, o cheiro estava ótimo fazendo minha barriga se manifestar com um ronco
que pegou á mim e á Zayn de surpresa. _Acho que você está com fome. – ele disse
divertido.
_Não preciso de comida. – murmurei contendo minha barriga.
_Preciso ir embora. – me coloquei em pé, mas meus joelhos vacilaram novamente
me fazendo cair nos braços de Zayn que tinha um olhar preocupado.
_Não fuja. – ele sussurrou passando uma mão por meu rosto,
sua proximidade me tirou o fôlego e qualquer fala minha. _Não fuja de mim. –
houve suplica em sua voz e eu corei quando ele me deu um beijo no canto da
boca.
_Tudo bem. – falei fraca, me soltei de seus braços sentando
no sofá. _Antes eu preciso comer algo. – Zayn logo colocou a bandeja de comida
em meu colo e percebi que nela tinha um copo de suco de laranja também.
Sem dizer uma palavra sequer um para o outro eu comi meu
almoço e olhando para o relógio percebi que as horas haviam voado e que agora
se passava das 3:30 da tarde. Assim que terminei de comer me senti melhor,
senti que meu corpo havia voltado a ficar forte. Coloquei de volta a bandeja em
cima da mesa de centro e então senti a mão de Zayn em minha mão, olhei para ele
espantada, aquele toque era mais que algo amigável, me afastei um pouco dele
indo para o outro lado do sofá, mas ele me seguiu, no seu rosto um sorriso de
conquistador se espalhava e aquilo me deixou á sua mercê.
_Fiquei tão preocupado quando você desmaiou. – ele sussurrou
tomando meu rosto em suas mãos para que eu pudesse lhe encarar, olhei para seus
olhos nebulosos e penetrantes me sentindo exposta. _Era como se eu quisesse
estar no seu lugar. – Zayn confessou. _Não consegui pensar direito por alguns
segundos, mas depois recolhi você em meus braços e você parecia tão vulnerável e
fraca que me machucou ainda mais.
_Por que você está machucado? – perguntei com a voz fraca,
senti seus polegares acariciarem a minha pele, fazendo com que eu me inclinasse
para receber mais de seu toque.
_Porque você estava lá para mim e então eu pensei em Perrie.
– ele confessou. _E então eu vi como aquilo te machucou, eu queria tanto falar
com você, porque eu sabia que tinha sido um idiota, mas você já tinha ido
embora com seu carro. – ouvir suas palavras me fez segurar suas mãos sobre meu
rosto, eu queria mostrar para ele que eu ainda estava ali. _Pensei que jamais
veria você novamente, mas você apareceu no ensaio, eu fiquei feliz, porém sua
expressão me derrubou por completo, eu vi sua dor por alguns instantes e fiquei
me martirizando por eu ser o causador daquela dor.
_A dor vai passar. – eu sussurrei sentindo mais uma vez a
vontade de chorar, mas eu a reprimi em meu interior e a tranquei.
_A minha não. – ele sussurrou e encostou nossas testas,
fechei meus olhos para saborear o momento.
_Acha que um dia vai esquecer Perrie. – perguntei antes de
pensar direito, Zayn se afastou e me olhou tristemente balançando a cabeça em
negativa.
_Sinto muito. – ele pediu, mas eu me sentia agora mais do
que nunca cansada dessa mesma resposta, cansada de ser rejeitada por um
fantasma do passado que com toda certeza jamais voltaria, me afastei de Zayn me
levantando do sofá, vi que ele me seguiu e quando abri a porta da frente ele
segurou meu braço. _Eu não posso esquecê-la sem você. – ele disse por fim, o
encarei com indignação.
_Não quero ser sua tabua de salvação Zayn. – falei me
livrando de sua mão.
_Eu não pedi para você ser isso. – ele falou com o olhar
ofendido.
_Mas eu não posso ser a pessoa que você vai usar para
esquecer a Perrie. – indaguei.
_ Nunca disse que iria usar você, disse que precisava de
você. – ele tentou se explicar, mas tudo estava obvio demais para mim.
_Da no mesmo Zayn. – falei tentando manter meu alto
controle.
_Será que você tem que complicar tudo? – ele perguntou
passando a mão por seus cabelos exasperado.
_Eu não complico nada! – gritei.
_Não complica?! – Zayn falou. _Então me explique por que não
estamos nos beijando em vez de estarmos gritando um com o outro! – ele gritou e
eu congelei.
Joguei as mãos para o ar em sinal de rendimento e puxei Zayn
contra mim segurando seu pescoço com ambas as minhas mãos, senti suas mãos
percorrerem meu corpo e dando atenção especial á minha bunda, percebi que uma
de suas mãos sumiu de meu corpo para poder fechar a porta atrás de nós, mas
logo depois ela já estava no mesmo lugar. Invadi a boca de Zayn com minha língua
e me deleitei quando ele gemeu sobre meus lábios. Caminhamos até o sofá sem
desgrudar nossas bocas, mesmo quando deitamos nossas bocas não se separaram,
com Zayn sobre meu corpo, senti seus músculos quando minhas mãos buscaram por seu
abdômen, o ar nos faltou e então Zayn
foi explorar meu pescoço recebendo um gemido de meus lábios. Suas mãos
vagaram por meu corpo mais uma vez, passando por meus seios, barriga e por fim
pararam em minha calça jeans, levei alguns segundos para perceber que Zayn
estava prestes a abrir o botão, o empurrei para longe, ele assustado caiu no
chão sentado.
_Não tão rápido Malik. – falei sem fôlego, ele me encarou e
sorriu em derrota.
_Ainda não? – ele perguntou.
_Vamos com mais calma. – me sentei e dei espaço para se
sentar ao meu lado. _Eu ainda nem sei o que nós temos. – expliquei. _Voltaremos
para nossas consultas regulares e esquecemos isso que tivemos. – seus olhos se estalaram
quando ele ouviu a ultima parte.
_Esquecer? – Zayn perguntou como se fosse algo terrível. _Eu
não vou conseguir esquecer isso. Você acha que meu corpo vai se esquecer de te
ter tão perto?
_É por isso que vai ser tão fácil esquecer Zayn. – disse com
a minha voz mais plana o possível. _Somente seu corpo me quer, mais nada. – me levantei
e o encarei, sua expressão derrotada. _Onde estão as chaves do meu carro? –
perguntei.
_Aqui. – ele falou pegando no seu bolso traseiro. _Você
realmente acha que é só meu corpo que te quer? – sua pergunta me pegou de
surpresa e eu só pude pegar minhas chaves de sua mão e assentir. _É terrível o
quão pouco você pensa sobre mim. – e com essas palavras eu lhe dei as costas e
fui embora.
Nenhum comentário:
Postar um comentário