Cap. 11 (pov. Niall)
Quando deixamos minha cama o sol estava se pondo e a vista
era linda, eu sabia no exato momento em que comprei aquele apartamento que eu
seria muito feliz só pelo fato da vista impressionante que eu tinha do por do
sol. Helena havia vestido uma das minhas camisas brancas que lhe caia tão bem
que eu pensei ficar mais bonita nela do que em mim, enquanto ela descansava um
pouco no sofá assistindo um pouco de televisão eu separei algumas frutas, fiz
um suco e cortei o bolo que eu havia comprado em fatias, coloquei tudo em cima
de uma bandeja razoavelmente grande. Caminhei até a sala e chamei Helena com um
aceno de cabeça, ela desligou a televisão e me seguiu escada acima, eu como
estava descalço, e estava vestido somente com minha calça jeans, sentia que o
frio estava voltando para Londres, como já era esperado. Quando chegamos até a
cobertura ouvi Helena soltar um suspiro de aprovação, o que eu tinha na
cobertura era o meu céu particular.
Um pequeno jardim se estendia aos nossos pés, havia uma
pequena cachoeira para fazer barulho da natureza já que em Londres o barulho
dos carros prevalecia, eu tinha um ofurô para relaxar nos dias mais frios, e as
pequenas flores se dividiam em rosas brancas, vermelhas, tulipas e para
ressaltar as flores eu tinha plantado um pequeno ipê laranja perto das cadeiras
de madeira e da mesa que também era de madeira, acho que nunca me sentia em
completa paz até que eu subisse até meu pequeno céu.
_É impressionante como você torna tudo mais lindo Nini. –
Helena falou ao meu lado, sua voz calma e apreciativa.
_Que bom que gostou. – falei sorrindo.
Caminhamos até a mesa e lá espalhei nosso pequeno lanche,
Helena agradeceu, falando que toda “atividade” tinha lhe dado fome. Era
formidável como a luz do crepúsculo fazia com que o cabelo de Helena se
destacasse e fizesse sua pele branca ficar um pouco mais corada, ela com toda
certeza era a menina mais linda que eu já havia visto e ainda mais quando
estava sem maquiagem e com os cabelos bagunçados, o vento que soprava me
arrepiou um pouco, mas não liguei, tudo em que eu me focava naquele momento era
em Helena e em como ela observava o pequeno céu.
_Sempre que penso em céu. – ela falou me tirando de meu
devaneio. _Eu penso em um lugar parecido com esse. – esbocei um sorriso por
suas palavras.
_Esse é o meu céu. – falei com a voz calma e apreciando o
cheiro das rosas.
_Poderia ser meu céu também? – Helena perguntou divertida,
mas mostrando que suas palavras eram sinceras.
_Esse já o seu céu. – falei e ela sorriu.
_Nosso céu. – ela sussurrou.
Com essas palavras voltamos a comer, quando as frutas acabaram,
o bolo ficou pela metade e o suco se foi, o sol já havia ido embora e o frio
havia ficado mais intenso, vi Helena se encolher e fui até ela, então a puxei
para meus braços a abraçando, tentando transmitir um pouco do meu calor para
ela.
_Obrigada. – murmurou contra meu peito nu.
_Vamos entrar. – sussurrei e ela protestou.
_Só... Vamos ficar mais um pouco aqui, assim abraçados... Eu
gosto de ficar assim com você. – levantou um pouco a cabeça para me olhar, seus
olhos verdadeiros, seu sorriso de menina e seu abraço que envolvia toda minha
cintura.
_5 minutos e nada mais, você está tremendo. – disse sorrindo
para ela.
E ficamos por lá, parecia que estávamos abraçados á tão
pouco tempo que quando me dei conta já estávamos esparramados no sofá com um
balde de pipoca sobre nosso colo assistindo ao filme que ela disse ser seu
preferido “O Pianista”, um filme um pouco triste, mas eu não me importei, tinha
Helena em meus braços, somente para mim, para que eu pudesse abraçar e cuidar,
beijar e amar. Ela não queria Liam que insistia em ama-la, ela queira á mim,
alguém que ficou nas sombras por anos, alguém que não tinha coragem de admitir
o que sentia e eu me deleitei por tê-la comigo.
_Você gosta de ficar comigo? – Helena perguntou baixinho
como se fosse um segredo, encarei seus grandes olhos que me encaravam
intensamente.
_Eu amo ficar com você. – falei enfatizando a palavra “amo”.
Ela não me respondeu, somente deu um sorriso tímido e se
voltou para a televisão, quando deu a hora do jantar eu pedi uma pizza, nenhum
de nós dois queríamos nos distanciar, sabíamos que depois daquela pizza
teríamos que voltar para nossas vidas e eu teria que fazer de conta que nada
aconteceu. A pizza chegou e fiquei impressionado quando Helena comeu 4 pedaços
da vegetariana, era bom vê-la comer, pois ela não se importava com o que os
outros pensavam, ao contrario de varias garotas que eu conheci que comiam no
máximo uma salada para impressionar. Impressionar quem? Pois eu preferia mil
vezes a garota que comia um prato cheio de macarronada. No final das contas
comemos fazendo brincadeiras como antes, nem parecia que tínhamos nos tornado
tão íntimos e eu apreciava aquela naturalidade como agíamos.
_Hora de ir. – Helena falou já vestida, ela tinha colocado
um casaco de frio meu.
_Só preciso por minha camiseta e meu tênis. – falei indo em
direção a minha cama, pegando o que queria vestir. _Pronto. – disse caminhando
junto dela até o elevador.
O caminho todo nem uma palavra foi troca, nem uma caricia,
havíamos nos comprometidos em ficar distantes enquanto estivéssemos fora do
nosso pequeno céu, era bom saber que eu poderia compartilhar algo como aquele
lugar com Helena. Ela me deixou na frente de casa, nos abraçamos e por um
momento estávamos nos beijando, um beijo sem pressa de despedida, mas voltei á
mim e me lembrei que morava a duas casas de Liam e ele poderia ver, me afastei
de Helena que ainda tentou segurar minha camiseta, mas eu recuei.
_Boa noite Nini. – ela murmurou tristemente colocando seu
capacete.
_Boa noite Helena. – falei acenando para ela enquanto dava
partida na moto.
Entrei em casa assim que o farol de sua moto desapareceu, eu
ainda tinha seu cheiro em mim, tinha as lembranças de nosso encontro, mas do
nada me senti enojado, eu tinha feito amor com a garota que meu amigo estava
amando, me senti mortificado e doente, corri escada acima direto para meu
banheiro, liguei a ducha no mais quente, tirei minhas roupas rapidamente e
entrei na água, lavei todo meu corpo, esfregando a bucha com uma força
descomunal, deixando marcas vermelhas por toda minha pele, depois que acabei
meu banho, coloquei uma calça de moletom e uma camiseta, senti o cansaço me
atingir e fui para meu quarto, deitei na cama e deixei o sono vir.
_Niall. – uma voz me chamou.
_Horan. – alguém chacoalhou eu braço.
_Acorda Niall! – Liam gritou e eu dei um pulo.
Minha visão estava embaçada, mas percebi que ainda era
noite, murmurei algo e coçando meus olhos consegui ver melhor quem estava no
meu quarto, Liam, Louis e Harry de pijama no meu quarto, sentei rapidamente fazendo
uma careta para saber o que estava acontecendo.
_O que vocês querem? – perguntei com a voz rouca.
_Achar o Zayn. – Liam falou.
_Mas eu não sei onde ele está. – falei caindo na cama
novamente abraçando meu travesseiro. _Vão embora, eu quero dormir. – murmurei
acenando com a mão.
_Se você não se levantar agora eu vou ser obrigado a jogar
água gelada em você. – Harry falou e eu sabia que não era um blefe, logo me pus
de pé.
_Sua cara está péssima. – Louis brincou.
_Claro que está horrível, são... – falei procurando meu
celular e olhando a hora. _São 3 da manhã seus imbecis, eu quero dormir.
_Ninguém vai dormir até encontrarmos o Zayn. – Liam falou
decidido e eu me dei por vencido.
Corremos para o carro de Louis por ser o maior e fique
sabendo que Paula e Carolina estavam procurando por ele também, Paula com seu
carro procurava nos bares que Zayn freqüentava e Carolina com seu carro
procurava nos hospitais temendo o pior, já nós andamos sem rumo pelas ruas de
Londres, na esperança de encontrar Zayn em qualquer calçada desmaiado. Eu
queria saber por que ele tinha sumido? Não deveria ser por Perrie, fazia tanto
tempo que ele não sumia por Perrie. Então quando já se passava das 4:30 da
manhã, Paula nos ligou, dizendo que havia encontrado Zayn em um bar, embriagado
e terrivelmente fedendo a mulher, Paula disse que levaria ele para a casa e que
cuidaria para que ele fosse direto para a cama. Todos no carro comemoramos, mas
eu fiquei com aquilo na cabeça, eu queria saber o motivo da voz de Paula
transparecer o quanto ela estava brava por causa do cheiro de mulher em Zayn e
eu também precisava saber se meu amigo estava bem, então quando os rapazes me
deixaram em casa fui direto para a casa de Zayn, peguei a chave reserva dentro
embaixo de uma pedra e entrei com cuidado para não fazer barulho, por um
momento achei que não tinha ninguém, mas depois escutei Paula chorar, seus
soluços eram audíveis do andar de baixo, subi as escadas com cuidado e depois
de dois lances cheguei na porta do quarto de Zayn, então pude ouvir a conversa
confusa deles.
_Não posso acreditar que te vi beijando ela! – Paula gritou
e escutei mais uma vez seu choro.
_Ela... Ela me achou e eu estava um pouco... Um pouco
zonzo... Eu não sei. – Zayn falou com a voz embaralhada.
_Eu te odeio! Você morreu pra mim! – Paula gritou mais uma
vez e dessa vez escutei Zayn soltar algum tipo de grunhido, acho que ele estava
chorando.
_Você... Paula, não diz isso. – ele murmurou.
_Vá dormir Zayn. – ela ordenou fria, mas a escutei engolindo
o choro. _Não sei mais o que pensar... Eu preciso me afastar de você.
_Por favor. – ele pediu.
_Vou ficar fora por uns dias, até que tudo tenha passado,
volto quando a turnê começar. – Paula falou, sua voz plana e inquebrável.
_Mas e sua faculdade? – Zayn perguntou.
_Eu dou um jeito. – ela murmurou. _Adeus Malik. – Paula
disse por fim.
Percebi que ela sairia a qualquer momento então corri escada
abaixo, fui mais rápido do que pensei e antes que Paula saísse da casa de Zayn,
eu já estava na porta da minha casa, com o coração saindo pela boca, tremendo
pela adrenalina e ao mesmo tempo cansado. Eu tive um dia confuso e agora estava
tendo uma madrugada confusa, eu queria poder ajudar Zayn, mas ele tinha feito
sua escolha, a escolha mais estúpida, mas foi sua escolha. E eu me peguei deitando
em minha cama mais uma vez, pensando o que eu deveria escolher. O amor por
Helena ou minha amizade por Liam? Minha cabeça doeu com essa pergunta. Eu não
queria que Helena ficasse com mais ninguém, mas também não poderia deixar
ninguém saber o que estava acontecendo com nós dois. Porém eu sabia que um dia
ela se cansaria de viver na sombra, eu sabia que ela queria que eu a
reconhecesse para o mundo e era algo que eu jamais teria coragem de fazer, me
forcei a dormir e consegui. Essa resposta teria que ser dada o quanto antes
possível.
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