Sabe quando
você fica parado em um instante de pânico e simplesmente não consegue se mover,
tudo ao seu redor fica mais lento e então você abre a boca, mas não diz nada,
você pisca com uma velocidade tão reduzida que pode ouvir seus cílios se
chocando uns com os outros. Esse é o momento em que o seu coração acelera, um
suor frio lhe escorregue pela testa e tudo que você quer fazer é se mexer,
fazer alguma coisa, mas você não... consegue... se... mover.
_Harry? – é
a terceira vez que Liam me chama, mas eu não quero responder.
Estou em
pé, somente á alguns passos do quarto de Carolina, não posso entrar lá, Niall,
Paula e Helena estão com ela. Eu queria dizer que seria melhor eu entrar também
ao invés de Niall, mas eu congelei na parte que o médico disse que ela não
sobreviveria. Não sei como reagir, não consigo chorar, falar e muito menos me
mover. Como é que eu diria para Niall que quem ama realmente Carolina sou eu?
Como eu poderia fazê-lo desistir de sua visita se mal me movi?
_Ele ainda
está parado? – é Paula quem fala pelo corredor branco quase vazio. _Vocês não
fizeram nada? – sua voz está um pouco elevada, mas acredito que ela esteja tão
cansada que não consegue gritar.
_Me ajudem
á levar ele até o sofá. – dessa vez é Helena quem fala, devagar ela segura meu
braço e o outro braço é tomado por Paula, as duas me conduzem até um sofá
branco e eu sento.
_Harry fala
comigo. – Paula meio que suplica, ela está parada na minha frente, mas com o
corpo curvado de modo que posso ver seus olhos chorosos, sei que ela chorou
muito, só que o sentimento é diferente quando você encara a dor de uma pessoa
tão de perto.
_Queria
ficar no quarto um pouco. – falo com a voz rouca, como se alguém estivesse
apertando minha garganta com toda força. _Sozinho. – completo a fala e recebo
um aceno leve de Paula que sai andando direto para o quarto.
Não demora
muito até que ela e Niall saiam do quarto, Niall ainda tem lágrimas descendo
por seu rosto, ele parece perdido e o garoto brincalhão que ele é se foi. Ele
passa por mim, mas nenhum de nós tem palavras reconfortantes ou um sorriso
torto para acalmar nossos corações. Me levanto devagar e caminho até o quarto,
parece que meus pés não tocam o chão, parece que meu corpo vai cair á qualquer
momento. Um segurança está parado na porta, ele parece cansado, com um aceno de
cabeça ele me deixa entrar. Com a respiração presa na garganta eu ando até a
cama onde Carolina está, vários aparelhos estão ligados, o barulho das batidas
de seu coração em formas de bipes me fazem perder os sentidos. Quando finalmente
estou ao seu lado não sei o que fazer quando vejo seu rosto pálido, sua boca sem
cor e sua expressão de pura dor.
_Por que
você tinha que ser tão explosiva? – me surpreendo quando as palavras saem de
minha boca como um sussurro. _Nós não teríamos terminado, deveríamos estar
juntos, você deveria ficar grávida daqui um ano e me pegar de surpresa, e então
eu iria te pedir em casamento e assim construiríamos uma família, uma família que
você poderia cuidar, uma família para você se segurar. – seguro sua mão e
encaro mais uma vez seu rosto. _Mas você quis me controlar e depois você foi
explosiva. – prendo a respiração e a solto. _Então por que você não acorda e
grita que foi tudo minha culpa? Carol, você precisa acordar para que possamos
consertar tudo.
Eu
espero... E espero. Mas ela não acorda, nem mesmo seus batimentos mudam, solto
sua mão com frustração. Eu sempre quis ela, e então quando finalmente á tive
joguei fora, eu a destruí várias vezes e agora ela não vai voltar. E como se eu
tivesse aberto as comportas da minha alma, eu começo a chorar, choro feito uma
criança que acabou de perder seus brinquedos, choro como... Choro como quando
Carolina bateu na minha porta e gritou que seus pais tinham sofrido um acidente,
me contou que ambos morreram. E como uma facada de dor, as lágrimas caem com
força por meu rosto, porque foi o dia em que Carolina caiu em minha frente,
onde ela chorou tudo que podia, aquele dia em que apenas dei de ombros e disse
que não podia ajudar. Fui uma pessoa horrível com ela, apenas fechei a porta e
á ouvi chorar na porta de minha casa.
_Desculpa. –
soluço para ela. _Me desculpa. – choro.
Não consigo
ficar mais naquele quarto, saio correndo pelo corredor e paro na sala, onde
todos me observam, eu soluço desenfreadamente, não consigo parar de chorar.
Carolina vai morrer e nunca vai saber o quanto me arrependo de tudo, mas
principalmente desse dia, do dia em que á deixei sofrer por conta própria.
_Harry
senta aqui. – Paula fala, mas eu quero expulsar essa dor de mim, eu preciso
contar para eles.
_Não
consigo mais, preciso ouvir que não sou uma péssima pessoa, por favor, me
escutem. – falo fungando e limpando minhas lágrimas na manga da minha camisa.
_Do que você
está falando? - Zayn pergunta assustado.
_Lembra de
quando os pais da Carolina morreram? – pergunto.
_Todos
lembramos, ela foi até Liam naquele dia. – Louis fala como se fosse algo idiota
de se comentar naquele momento.
_Não. –
sussurro. _Ela foi na minha casa primeiro. – o silencio se instala naquela
saleta, todos os olhares se voltam para mim e eu começo a tremer. _Eu... Eu...
Me desculpa. – sussurro.
_Harry... O
que você fez? – Paula pergunta se levantando, parece que á qualquer momento ela
vai me matar.
_Eu não
queria que as coisas ficassem sérias naquela época, não queria carregar
Carolina comigo, não queria ser um “namorado”. – tento me explicar.
_Fala de
uma vez! – Paula grita nos assustando.
_Eu fechei
a porta de casa e á deixei sozinha. – murmuro e meu coração vai para o
estomago.
_Você o
quê? – Helena me surpreende quando se levanta e para na minha frente. _Você já
imaginou o quanto isso á feriu? Ela precisava de você Harry. – ela balança sua cabeça
em descrença. _Carolina só precisava de um lugar seguro para chorar e você negou
isso pra ela.
_E mesmo
assim ela continuou á te amar. – Paula sussurrou. _Mesmo assim ela tentou mais
que uma vez com você. Harry, ela precisava de você, ela só precisava de você.
_Eu sei. –
murmuro.
_Não. Não
sabe. – Liam falou sentado no sofá com as mãos cobrindo seu rosto. _Carolina
era apenas uma garota, apenas uma pobre garota que perdeu seus pais e que
precisava do abraço de seu namorado.
_Mas eu não
estava pronto. – suplico.
_Ela também
não estava pronta para perder os pais Harry! – Liam levantou seu olhar gelado
para mim. _Você é um idiota mesmo.
_Deixem ele
pessoal, Harry era apenas um garoto na época também. – Niall me surpreende
quando me defende. _Só vamos nos concentrar em Carolina.
E como se
fosse automático, todos olhamos para a porta onde o segurança supostamente
deveria estar parado, então médicos e enfermeiras correm em direção ao quarto
de Carolina, eles estão gritando e então eu corro até lá, sendo seguido pelos
outros.
_Não é possível.
– falo incrédulo.
_Meu Deus! –
Paula grita.
O segurança
está desacordado ao lado da cama de Carolina, seu olho está sangrando. Posso
ver que a cama de Carolina está cheia de sangue e enquanto os médicos á viram
de lado para encarar a porta posso ver uma faca cravada em seu peito.
_Carolina! –
Paula grita, mas já é tarde, os médicos fecham a porta e quando á abrem é para
correr com Carolina em uma maca para o centro cirúrgico.
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