Capitulo 41 - I Know That She's Gonna Die

 Cap. 41 (pov. Harry)
Sabe quando você fica parado em um instante de pânico e simplesmente não consegue se mover, tudo ao seu redor fica mais lento e então você abre a boca, mas não diz nada, você pisca com uma velocidade tão reduzida que pode ouvir seus cílios se chocando uns com os outros. Esse é o momento em que o seu coração acelera, um suor frio lhe escorregue pela testa e tudo que você quer fazer é se mexer, fazer alguma coisa, mas você não... consegue... se... mover.
_Harry? – é a terceira vez que Liam me chama, mas eu não quero responder.
Estou em pé, somente á alguns passos do quarto de Carolina, não posso entrar lá, Niall, Paula e Helena estão com ela. Eu queria dizer que seria melhor eu entrar também ao invés de Niall, mas eu congelei na parte que o médico disse que ela não sobreviveria. Não sei como reagir, não consigo chorar, falar e muito menos me mover. Como é que eu diria para Niall que quem ama realmente Carolina sou eu? Como eu poderia fazê-lo desistir de sua visita se mal me movi?
_Ele ainda está parado? – é Paula quem fala pelo corredor branco quase vazio. _Vocês não fizeram nada? – sua voz está um pouco elevada, mas acredito que ela esteja tão cansada que não consegue gritar.
_Me ajudem á levar ele até o sofá. – dessa vez é Helena quem fala, devagar ela segura meu braço e o outro braço é tomado por Paula, as duas me conduzem até um sofá branco e eu sento.
_Harry fala comigo. – Paula meio que suplica, ela está parada na minha frente, mas com o corpo curvado de modo que posso ver seus olhos chorosos, sei que ela chorou muito, só que o sentimento é diferente quando você encara a dor de uma pessoa tão de perto.
_Queria ficar no quarto um pouco. – falo com a voz rouca, como se alguém estivesse apertando minha garganta com toda força. _Sozinho. – completo a fala e recebo um aceno leve de Paula que sai andando direto para o quarto.
Não demora muito até que ela e Niall saiam do quarto, Niall ainda tem lágrimas descendo por seu rosto, ele parece perdido e o garoto brincalhão que ele é se foi. Ele passa por mim, mas nenhum de nós tem palavras reconfortantes ou um sorriso torto para acalmar nossos corações. Me levanto devagar e caminho até o quarto, parece que meus pés não tocam o chão, parece que meu corpo vai cair á qualquer momento. Um segurança está parado na porta, ele parece cansado, com um aceno de cabeça ele me deixa entrar. Com a respiração presa na garganta eu ando até a cama onde Carolina está, vários aparelhos estão ligados, o barulho das batidas de seu coração em formas de bipes me fazem perder os sentidos. Quando finalmente estou ao seu lado não sei o que fazer quando vejo seu rosto pálido, sua boca sem cor e sua expressão de pura dor.
_Por que você tinha que ser tão explosiva? – me surpreendo quando as palavras saem de minha boca como um sussurro. _Nós não teríamos terminado, deveríamos estar juntos, você deveria ficar grávida daqui um ano e me pegar de surpresa, e então eu iria te pedir em casamento e assim construiríamos uma família, uma família que você poderia cuidar, uma família para você se segurar. – seguro sua mão e encaro mais uma vez seu rosto. _Mas você quis me controlar e depois você foi explosiva. – prendo a respiração e a solto. _Então por que você não acorda e grita que foi tudo minha culpa? Carol, você precisa acordar para que possamos consertar tudo.
Eu espero... E espero. Mas ela não acorda, nem mesmo seus batimentos mudam, solto sua mão com frustração. Eu sempre quis ela, e então quando finalmente á tive joguei fora, eu a destruí várias vezes e agora ela não vai voltar. E como se eu tivesse aberto as comportas da minha alma, eu começo a chorar, choro feito uma criança que acabou de perder seus brinquedos, choro como... Choro como quando Carolina bateu na minha porta e gritou que seus pais tinham sofrido um acidente, me contou que ambos morreram. E como uma facada de dor, as lágrimas caem com força por meu rosto, porque foi o dia em que Carolina caiu em minha frente, onde ela chorou tudo que podia, aquele dia em que apenas dei de ombros e disse que não podia ajudar. Fui uma pessoa horrível com ela, apenas fechei a porta e á ouvi chorar na porta de minha casa.
_Desculpa. – soluço para ela. _Me desculpa. – choro.
Não consigo ficar mais naquele quarto, saio correndo pelo corredor e paro na sala, onde todos me observam, eu soluço desenfreadamente, não consigo parar de chorar. Carolina vai morrer e nunca vai saber o quanto me arrependo de tudo, mas principalmente desse dia, do dia em que á deixei sofrer por conta própria.
_Harry senta aqui. – Paula fala, mas eu quero expulsar essa dor de mim, eu preciso contar para eles.
_Não consigo mais, preciso ouvir que não sou uma péssima pessoa, por favor, me escutem. – falo fungando e limpando minhas lágrimas na manga da minha camisa.
_Do que você está falando?  - Zayn pergunta assustado.
_Lembra de quando os pais da Carolina morreram? – pergunto.
_Todos lembramos, ela foi até Liam naquele dia. – Louis fala como se fosse algo idiota de se comentar naquele momento.
_Não. – sussurro. _Ela foi na minha casa primeiro. – o silencio se instala naquela saleta, todos os olhares se voltam para mim e eu começo a tremer. _Eu... Eu... Me desculpa. – sussurro.
_Harry... O que você fez? – Paula pergunta se levantando, parece que á qualquer momento ela vai me matar.
_Eu não queria que as coisas ficassem sérias naquela época, não queria carregar Carolina comigo, não queria ser um “namorado”. – tento me explicar.
_Fala de uma vez! – Paula grita nos assustando.
_Eu fechei a porta de casa e á deixei sozinha. – murmuro e meu coração vai para o estomago.
_Você o quê? – Helena me surpreende quando se levanta e para na minha frente. _Você já imaginou o quanto isso á feriu? Ela precisava de você Harry. – ela balança sua cabeça em descrença. _Carolina só precisava de um lugar seguro para chorar e você negou isso pra ela.
_E mesmo assim ela continuou á te amar. – Paula sussurrou. _Mesmo assim ela tentou mais que uma vez com você. Harry, ela precisava de você, ela só precisava de você.
_Eu sei. – murmuro.
_Não. Não sabe. – Liam falou sentado no sofá com as mãos cobrindo seu rosto. _Carolina era apenas uma garota, apenas uma pobre garota que perdeu seus pais e que precisava do abraço de seu namorado.
_Mas eu não estava pronto. – suplico.
_Ela também não estava pronta para perder os pais Harry! – Liam levantou seu olhar gelado para mim. _Você é um idiota mesmo.
_Deixem ele pessoal, Harry era apenas um garoto na época também. – Niall me surpreende quando me defende. _Só vamos nos concentrar em Carolina.
E como se fosse automático, todos olhamos para a porta onde o segurança supostamente deveria estar parado, então médicos e enfermeiras correm em direção ao quarto de Carolina, eles estão gritando e então eu corro até lá, sendo seguido pelos outros.
_Não é possível. – falo incrédulo.
_Meu Deus! – Paula grita.
O segurança está desacordado ao lado da cama de Carolina, seu olho está sangrando. Posso ver que a cama de Carolina está cheia de sangue e enquanto os médicos á viram de lado para encarar a porta posso ver uma faca cravada em seu peito.

_Carolina! – Paula grita, mas já é tarde, os médicos fecham a porta e quando á abrem é para correr com Carolina em uma maca para o centro cirúrgico.

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