Capitulo 33 - This Is Very Tiring

Cap. 33 (pov. Helena)
Estava com Liam no pequeno sofá da sala, eu sentada e ele deitado com a cabeça apoiada em minhas pernas, víamos um filme antigo, sem som, apenas preto e branco, era tão engraçado o quanto tínhamos em comum, até mesmo o gosto para filmes, não fazia ideia de que Liam gostasse de filmes mudos. Mexia em seus cabelos e encarava seu perfil refletido pela luz da televisão, ele estava apenas com suas calças de pijama da cor preta, deixando a vista seu tronco definido que me tirava à concentração. Eu por minha vez estava com uma grande camiseta minha toda florida e um shorts de algodão branco. Seu cabelo curto fazia cócegas em minhas pernas, mas eu não ligava.
_Como vai ser quando voltarmos? – Liam perguntou se virando para me encarar. Dou de ombros, porque eu não sei como será.
_Acho que devemos ver como todos estão, como Niall está e depois contamos sobre nós. – falei e vi seu rosto cair.
_Mas eu quero que eles nos vejam juntos, nos vejam amando um ao outro Helena. – ele meio que suplicou, assim cortando meu coração.
_Mas do seu jeito é errado Liam, vamos machucar Niall se falarmos de uma só vez, ele nem sabe que você está aqui comigo, imagine só se ele descobre que estamos juntos?! – disse tranquilamente passando a mão por seu rosto, sua barba espetando um pouco minha mão, mas eu gostei.
_Entendi. – Liam bufou e se sentou abruptamente, de perfil podia ver seu maxilar se apertando com desgosto.
_Por que você está assim tão bravo? – perguntei e ele me encarou mudo. _Não quer dizer que vou voltar para Niall, achei que estava bem claro que eu ficaria com você.
_Eu sei disso, mas você quer ficar comigo em segredo, para não magoar o Niall. – ele falou com calma, mas a raiva queimava seus olhos. _Niall também me magoou quando ficou com você sabendo que eu te amo. – fico pasma com a sua admissão amorosa.
_O que você acabou de falar? – perguntei consciente da minha cara de apaixonada, meu sorriso de rachar o rosto me traindo.
_Acabei de falar que te amo e te amo faz muito tempo. – Liam falou convicto e eu já não posso mais lhe resistir, salto para seu colo, colocando uma perna de cada lado de seus quadris.
Ele me olhou sério, mas o divertimento e a paixão dançavam em seus olhos, então seus lábios estavam nos meus. Fervorosos, forçando, mordiscando, beijando, me tirando totalmente o fôlego. E por um momento agradeci por Adam ter ido dormir, mesmo que já passava das duas da madrugada. As mãos de Liam foram para de baixo da minha camiseta e eu ruborizei consciente de que estava sem sutiã e consciente de que Liam sabia disso. Conforme seus lábios dançavam sobre os meus, suas mãos subiam, testando minhas reações, ele passava as mãos por debaixo de meus seios, sem os tocá-los e eu me incendiava. Trouxe minhas mãos para seu tronco e o arranhei de cima para baixo, até alcançar a barra de sua calça e brincar com minhas unhas por cima de sua pele sensível, perto de onde a cueca começava, ele gemeu sobre minha boca como resposta e sem aguentar mais suas mãos se acoplaram aos meus seios, primeiro um aperto de leve, depois suas mãos se tornaram drásticas, apertando tentadoramente meus mamilos, como se ele fosse o melhor naquilo. Gemi baixinho sobre sua boca e fiquei nervosa com a possibilidade de Adam entrar na sala.
_Meu quarto. – sussurrei em seu ouvido.
_Se enrole na minha cintura. – Liam falou e mordiscou minha orelha, me fazendo arfar.
Fiz como ele pediu e assim sem a menor dificuldade ele me levou para meu quarto, fechou a porta com o pé e me deitou sobre a cama, deitou com seu corpo sobre mim. Então devagar tirou minha camiseta me deixando nua em cima, achei que ele fosse tirar meu shorts, mas não, ele se debruçou sobre mim e me beijou profundamente. Minha pele ardia onde ele me tocava, me deixando ansiosa e louca por seu toque. Sua boca foi descendo até irem de encontro com meu pescoço e eu me rendi á ele, deixando um longo e alto gemido me escapar, mas por um momento sua boca parou e ele gelou.
_Está ouvindo isso? – Liam perguntou e eu fiquei em silêncio, escutei bem baixinho o barulho de algo vibrando.
_Deve ser seu celular, coloquei ele para carregar hoje. – murmurei e de repente fiquei preocupada. _Quem te ligaria essa hora? – perguntei.
_Não sei. – Liam murmurou e quando o barulho cessou se debruçou para me beijar, mas eu o interrompi.
_Acho melhor você ver quem era. – falei encarando seu rosto, que despencou em derrota.
Liam pulou até minha penteadeira e pegou seu celular que estava carregando, desconectou o carregador, caminhou até a cama se sentou, fiz o mesmo colocando minha camiseta. Ele olhou para o celular com um pouco de tristeza e ligou para a pessoa que ligou para ele, deixando no viva-voz o celular chamou, uma, duas e na terceira vez a voz de Paula soou do outro lado da linha.
_Graças a Deus você me retornou. – ela murmurou aliviada.
_O que aconteceu Paula? – Liam perguntou aflito e eu fiquei por um momento com a boca seca, com as mãos tremendo e com o coração apertado, sabendo que algo ruim havia acontecido.
_É a Carol. – Paula falou e por um instante fungou, ela estava chorando. _Atropelaram ela. – então Paula desmoronou seu choro audível.
_Como isso foi acontecer? – Liam grita no celular me assustando.
_Não sei direito, Harry me ligou e disse que eles tinham discutido, então a Carolina estava no meio da rua... Não sei! – Paula grita também. _Só sei que precisamos de todos aqui, agora. – ela meio que comandou em meio ao choro compulsivo.
_Estamos indo já. – Liam falou e desligou o celular.
Se levantou rapidamente e ligou as luzes, colocou uma camiseta qualquer, depois se livrou de suas calças de pijama e colocou uma calça jeans, calçou seu tênis branco e me olhou.
_Vamos Helena, sei que está em choque, mas se vista, rápido. – ele falou abotoando seu casaco preto e saiu do quarto para me dar espaço
Corri para minha mala e me vesti as pressas, meia calça de lã preta, saia jeans, uma camiseta branca e uma jaqueta de couro, coloquei minha sapatilha azul e sai correndo do quarto. Encontrei Liam explicando tudo para Adam que estava com o rosto amassado e assentia a cada palavra de Liam. Depois de um ou dois momentos eu e Liam estávamos indo em direção á Londres no grande carro esporte de Liam. Dentro do carro estava quente, mas eu me sentia fria, com o coração batendo freneticamente, as mãos tremendo e o suor frio descendo por meu pescoço. Fazia pequenas preces para que nada de grave acontecesse com Carolina, ela ainda era tão jovem, ela tão controlada e firme não podia se deixar cair por isso, nada de ruim deveria acontecer com ela. E então as lágrimas rolaram por meu rosto em silencio, Liam acariciou minha mão que estava sobre meu colo, mas não disse uma palavra sequer, eu sabia que ele estava preocupado também, mas ele deveria entender que a dor de ver Carolina machucada me deixava à deriva em meus pensamentos, ela era a irmã que eu nunca tive e não seria fácil vê-la machucada.
Estava quase amanhecendo quando estacionamos em frente ao hospital, reconheci o carro de Carolina, o carro de Zayn, mas não via nenhum sinal do carro de Niall, fiquei desapontada com ele, Carolina e ele eram como irmãos, nunca se largaram, sempre conversavam quando precisavam de apoio e Niall não aparecer no hospital me deixou irritada. Liam abriu minha porta e entramos no hospital longe um do outro. Na sala de espera que era toda branca, com sofás de couro branco e pequenos vasos de flores espalhados pelas janelas que davam ao lugar um pouco de leveza, consegui correr para os braços de Paula que chorava em pé ao lado das janelas medianas, ela me apertou firmemente em seus braços, e já não agüentei mais, desabrochei em choro junto á ela.
_Ela vai ficar bem? – perguntei atordoada quando vi as olheiras enormes em Paula, ela parecia ter envelhecido uns dez anos.
_Algumas fraturas e contusões, mas o que eu fico pasma é que o motorista a atingiu em cheio em uma rua sem movimento e fugiu. – Paula falou ofegante me liberando e limpando suas lágrimas.
_Acha que foi por querer? – perguntei rouca e tentando cessar minhas lágrimas.
_Tenho certeza, Harry ainda me disse que a placa estava coberta. – ela falou suspirando e eu fiquei feliz por conseguirmos segurar nossas lágrimas.
_Mas como isso, eles nem sabiam que iriam brigar. – falei um pouco exaltada e Paula me repreendeu baixinho.
_Ele deve ter seguido Carolina, você sabe que ela sofre constantes ameaças. – Paula falou como se isso explicasse tudo.
_Só que nada parecido com isso aconteceu. – sussurrei para Paula.
_Helena, pense um pouco, Carolina é podre de rica, tem uma das maiores empresas de Londres em suas mãos, acha mesmo que ela nunca seria atacada? – ela falou como se eu fosse uma criança birrenta, gesticulando com as mãos e falando devagar.
_Será que ela já sabe que não foi um acidente? – perguntei e Paula congelou.
_Ela ainda não acordou. – seu tom era triste e cortante.
_Você precisa comer alguma coisa. – fique ciente da voz de Zayn atrás de mim e só assim pude ver ao redor da sala.
Agora as poltronas eram ocupadas por Zayn, Louis junto de Eleanor, Liam e incrivelmente Niall estava lá. Fiquei um pouco envergonhada ao olhar para ele, tinha muito que conversar com ele, mas esse não era o momento e nem o lugar.
_Não vou comer até que ela acorde. – Paula falou petulante e saiu andando pelos corredores.
_Ela faz isso quando está preocupada. – murmurei para Zayn que assentiu e se sentou em uma das poltronas.
O dia se estendeu e eu acabei indo para a cantina do hospital com Liam, lá nós comemos alguns bolinhos e tomamos café, nenhum de nós falou, parecia que a ultima noticia que recebemos devastou a todos, o médico disse que Carolina estava em coma e que só voltaria quando seu corpo achasse melhor. Isso nocauteou Paula que caiu sobre a poltrona e chorou até que o sono a pegou. Já era noite quando voltamos para a sala de espera, agora sem Niall, nós mal falamos um com o outro e eu achei melhor assim.
Depois de um dia todo no hospital meu corpo doía e Liam queria que eu fosse para casa me trocar, mas eu me recusei, queria estar presente quando Carolina acordasse. Porém eu obriguei Paula ir embora quando ela desmaiou de fome, me deixando mais preocupada, ela empalideceu e depois caiu no chão duro, Zayn parecia ter perdido o chão quando á viu deitada inconsciente. Ele a levou para a casa e isso me deixou mais aliviada.
Já é noite quando me deixaram entrar no quarto de Carolina. Pedi para que todos fossem embora, inclusive Liam, eu ligaria para todos quando ela acordasse e eu torcia para que ela acordasse logo. Congelei quando á vi toda marcada, perna e braço engessado e fiquei surpresa ao ver Harry dormindo ao lado dela. Uma enfermeira mexia em seu equipamento e sorriu quando me viu. O quarto estava inundado de flores e eu não sabia quando elas tinham sido levadas para seu quarto e nem sabia quem havia lhe mandado.
_Ele ficou aqui o tempo todo? – perguntei á enfermeira apontando para Harry.
_Sim, ele nunca deixa o quarto, suas refeições são mandadas diretamente para ele no quarto, ele não quer deixá-la. – a enfermeira que parece ter seus trinta, pele escura e cabelos um pouco grisalho me sorri com simpatia mais uma vez, ela é magra e tão baixa quanto Paula.
_Sabe me dizer quem mandou as flores? – perguntei sem jeito.
_Um pouco dessas flores veio do rapaz na poltrona e as outras vieram de um rapaz de cabelo louro e olhos azuis. – ela falou e eu sorri sabendo que foi Niall. _Isso é tudo? – ela perguntou passando por mim e parando na porta.
_Sim, obrigada. – falo e assim ela sai me deixando praticamente sozinha com Carolina.
Caminho até o pé de sua cama e olho para seu rosto pacifico mesmo com os machucados. Ela tem tantos roxos pelo corpo que me deixa preocupada, boa parte de seu rosto está ralado. Suspiro enquanto lágrimas me escapam. Quem poderia fazer algo assim? E á que custo? Machucar essa garota brilhante que teve os pais arrancados de sua vida tão cedo, á deixando com uma casa grande cheia de empregados. Carolina tinha aguentado tanta coisa, mesmo quando Harry á deixou ela conseguiu se levantar sem a ajuda de ninguém. Ela que me fez grande e realizou meus sonhos, ela que ajudou Paula a ter independência. Carolina não machucava ninguém, aliás, ela era a machucada da história. O médico chegou e ficou por lá, mexendo em tudo, virando seu corpo tentando achar alguma coisa, então começamos a conversar.
Encarei seu rosto por horas sabia que o médico estava ali ao meu lado, então suas pálpebras se mexeram e eu achei que fosse minha imaginação, mas então seus olhos se abriram, buscando alguma coisa, desesperados por conhecimento, eu sabia que ela estava estudando o lugar. O médico mexeu em sua cama e ela se sentou parcialmente. No começo ela estava um pouco atordoada e meu peito se inchou de alegria por vê-la viva. Depois que o médico deixou o quarto conversamos por um tempo e Harry acordou, não dando chances de Carolina desistir dele, então quando ele se beijaram decidi que era a minha hora de ir, me despedi dos dois e sai do quarto. Aliviada, cansada e acima de tudo com um enorme sorriso no rosto. Sai correndo do prédio pronta para ligar para um taxi me buscar, mas então ouvi o ronco da minha moto, achei que fosse Niall, achei que fosse Liam, mas quando o capacete foi tirado de seu rosto explodi de felicidade, corri até a moto e a abracei, sem dar lhe chances de sair de cima da moto.
_Ela acordou! – gritei no ouvido de Paula a assustando, então ela me abraçou com mais força.
_Sério? – ela perguntou ainda abraçada comigo.
_Sim! – gritei mais uma vez e nós caímos na gargalhada.
_Será que posso vê-la? – Paula perguntou me liberando e descendo da moto.
_Acho melhor não, ela está conversando com Harry. – falei e ela assentiu sabendo que não era sábio interromper os dois. _Por que você está com a minha moto? – perguntei colocando as mãos na cintura.
_Quando Zayn me levou para a casa, falei que queria ficar no seu apartamento já que eu tenho uma chave de lá, ele não se opôs achando que lá eu ficaria melhor, mas era só uma desculpa para roubar sua moto e vir para cá. – Paula me explicou como se fosse totalmente certo o que ela fez.
_Paula você roubou minha moto? Invadiu meu apartamento? E está usando minhas roupas? – falei um pouco brava, e reparei mais um pouco nas roupas, realmente eram minhas, calça de couro, jaqueta de couro e tênis preto.
_Primeiramente, eu não roubei nada e não invadi nada e essa roupa é pra dar mais emoção. – ela falou calmamente. _Eu só queria fugir um pouco da realidade e então me tornei uma motociclista. – ela falou sorridente, balancei a cabeça em descrença e sorri para ela.
_Você faz isso desde criança quando alguma coisa dá errado. – falei e ela sorriu amplamente.
_Vamos dar uma volta? – ela perguntou e nem esperou minha resposta lançando o capacete reserva em minha direção, ainda bem que o agarrei antes de atingir meu rosto.
_Por que não? – perguntei indo até a moto, ela se sentou e eu sentei atrás dela.

_Voltamos para eu ver Carol. – Paula falou colando seu capacete e eu fiz o mesmo. Então ela saiu com toda a velocidade do hospital.

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