Cap. 32 (pov. Carolina)
Enquanto dirigia pelas ruas de
Londres sem rumo, eu olhava Harry do meu lado, aos prantos, ele repetia e
repetia que não queria me deixar, mas eu me mantinha distante, eu já havia
sofrido tanto por ele, chorado tanto e estava cansada. Cansada de tentar ser
perfeita para ele, cansada de tentar dar o máximo de mim e ter somente suas
reclamações de volta, reclamações que só faziam menção a festa e a sua
liberdade. Bem, se Harry queria a liberdade eu daria para ele, mesmo que meu
coração se dilacerasse e quebrasse em vários pedaços.
Olhava as pessoas nas ruas,
casais, abraçados, caminhando juntos para se proteger do frio, horas atrás
esses casais se espelhavam em mim e em Harry. Agora aqui estamos, no meu carro,
andando para lugar nenhum, eu encarando o horizonte, ele com a cabeça apoiada
no vidro, suas lágrimas ainda descendo por seu rosto, seus lábios tremendo,
tentando abafar seus soluços, jamais pensei em ver Harry daquele jeito, porém
eu penso... Já estive muito pior que ele.
_Pode parar o carro, estou
enjoado. – ele murmura me encarando, eu apenas aceno com a cabeça, sei que se
falar alguma coisa eu vou chorar.
Estaciono perto em uma rua um
pouco movimentada, os carros vem e vão, as pessoas passam por nós com
indiferença, apenas querendo aproveitar o resto da noite. Ele desce primeiro do
carro, se senta em frente ao carro no beiral da calçada, olho para ele
fixamente dentro do carro, tomo um pouco de fôlego e saio do carro, o frio é
terrível e eu estou sem casaco, deveria ter pegado um dos meus vestidos mais
longos ou algum casaco, mas como não fiz nenhuma dessas coisas encaro o frio de
frente, me sento ao seu lado, porém mantendo uma distancia para que não nos
toquemos.
Não quero que ele se vá, não quero
terminar, só que é preciso, ele nunca vai se acostumar ao meu jeito, nunca vai se
acostumar aos meus horários, nunca vai se acostumar a minha vida. Foi bom ter
ele por esse pequeno espaço de tempo, ter ele comigo me trouxe paz, me deixou
feliz, eu ganhei peso e fiquei mais corada, é inegável que Harry me faça feliz
e nesse momento percebo que ele esta me encarando, seus olhos avermelhados e
marejados, seu rosto pálido pelo frio, seus lábios roxos. Harry me olha
atentamente, tentando captar algum pensamento meu, tentando desvendar minha
expressão, e eu não aguento seu olhar insistente e deixo lágrimas rolarem por
meu rosto, porque eu sei que vai doer quando ele tirar todas as roupas dele da
minha casa, vai machucar quando ele me olhar e disser adeus, vai me ferir muito
quando eu chegar a uma reunião com One Direction e não poder lhe dar um beijo
de bom dia.
_Por que você me machuca tanto? –
pergunto, repetindo a mesma coisa que falei no hotel para ele. Vejo seus olhos
aumentarem um pouco. _Por que gosta de fazer essas coisas comigo? – sussurro
esperando uma resposta.
_Eu não sei. – ele sussurra,
minhas mãos estão entrelaçadas em meu colo congeladas pelo frio, encaro a
palidez de minha pele, processando o que essas palavras podem significar.
_Não sabe? – pergunto encarando
seu belo rosto, minhas lágrimas são insistentes e meu coração esta se
retorcendo, causando uma dor enorme por meu corpo.
_Eu não faço essas coisas porque
eu quero Carolina, não faço essas burradas porque eu quero te ver assim. – ele
fala, sinceridade refletida em seus olhos.
_Mas você faz, e faz tão bem, que
me mata aos poucos Harry. – murmuro engolindo em seco, limpando minhas lágrimas
e tremendo um pouco pelo frio.
_Só foi uma dança Carol, uma
dança! – Harry explode tomando um pouco da atenção das pessoas que passam pela
rua.
_Só uma dança? – falo com os
dentes cerrados. _Aquilo foi muito mais que uma dança Styles. – o acuso coma
voz mortalmente baixa.
_Eu odeio quando me chama assim. –
ele murmura. _E toda essa confusão não teria acontecido se você não tivesse
ficado naquele sofá. – ele acusa e eu fico pasma.
_Agora a culpa é minha? – pergunto
colocando as mãos para cima em sinal de rendição. _Para começo de conversa, eu
não deveria estar ali, eu tenho uma reunião importante amanhã, tenho coisas
inacabadas do trabalho, tenho que cuidar de todo mundo. – falo como se estivesse
explicando para uma criança, sempre acenando com as mãos.
_Viu! Você só pensa em trabalho,
nunca se da um descanso, nunca se diverte, nunca deixa eu me divertir, você só
pensa em cuidar dos outros. – mais uma vez ele grita, dou graças por não haver ninguém
na rua, apenas os carros.
_Sim Harry, eu cuido de todo
mundo. – falo olhando para seus olhos. _E quem vai cuidar de mim? – sussurro,
minha voz falhando, meu coração queimando, meus olhos se enchendo de lágrimas,
tornando minha visão embaçada. _Quem vai cuidar de mim? – repito a pergunta.
Ele me encara, observa minhas
lágrimas descerem, estende sua mão e seca algumas delas, mas são tantas que não
é o suficiente. Devagar ele se aproxima de mim, toma minhas mãos e as aperta
firmemente, sinto seus dedos quentes sobre os meus gelados. Não sei por que
deixo ele se aproximar tanto, mas eu simplesmente deixo. Harry solta minhas
mãos e segura cada lado do meu rosto e eu sei que ele vai me beijar, fecho meus
olhos e por fim sinto seus lábios macios sobre os meus, e assim todas minhas
incertezas se vão, todos os meus medos esvaídos nesse pequeno ato de unir duas
bocas. Só nos separamos quando não faltava mais ar, ele encarou meus olhos,
depois minha boca e sorriu, porém seu sorriso se desfez quando eu não sorri.
Agora eu estava pronta para dizer adeus.
(Escute a musica: http://www.youtube.com/watch?v=-2U0Ivkn2Ds
)
_Você sabe que isso não vai dar certo. – falo tirando suas
mãos de mim. _Você sabe que nada vai dar certo. – minha voz rouca com lágrimas
presas.
_Mas... Carolina não faz isso. – ele roga, mas eu me levanto
e vou para a rua.
_Preciso de distancia Harry, por favor. – peço. Ele caminha
até mim, eu me afasto, indo para a rua, não há mais carros passando, somente
nós dois e nossa dor.
_Não podemos terminar desse jeito Carol, eu gosto de você. –
Harry clama e eu me afasto cada vez mais.
_Você não me ama Styles, por isso não consegue ver o que
esta acontecendo comigo. – falo e ele me encara de longe.
_Como pode me dizer que eu não te amo? – ele grita.
_Porque você nunca disse! – eu grito liberando toda minha
raiva.
_Carolina! – Harry grita, mas já é tarde, vejo um clarão e
algo me atingi com força, meu corpo é lançado longe e posso sentir minha cabeça
indo direto para o asfalto duro, então tudo se esvai e some.
É tudo tão estranho quando eu abro meus olhos, sinto minha
cabeça explodindo pela dor, meus olhos se enchem de claridade e escuto o
barulho de aparelhos médicos, sei que estou em um hospital, meu braço esquerdo
pesa e minha perna direita também. Choramingo e alguém aperta um botão, não sei
quem é ou se é dia, não sei de nada, só sei que estou em um hospital, mas pela
dor na cabeça apenas vejo o teto branco com luzes fortes.
_Como ela esta? – é Helena, meu Deus! Sorrio, porque eu
sinto tanta falta dela.
_Vou fazer alguns exames agora que ela acordou. – um homem
fala atraindo minha atenção, de repente minha cama se meche e eu fico
parcialmente sentada.
Agora vejo com clareza onde estou, é um quarto de hospital,
todo branco, tem uma porta branca, acho que deve ser o banheiro, a janela é
grande, do chão até o teto, porém esta escuro e eu não vejo nada lá fora,
algumas flores estão sobre uma pequena mesa ao meu lado, do outro lado aparelhos
me monitoram, tem também um sofá de dois lugares de couro branco e uma poltrona
de couro branca ao lado da minha cama, Harry esta encolhido nessa poltrona, com
a mesma roupa de ontem, seu corpo torto e seu semblante de sofrimento.
_Ele não sai daqui pra nada. – Helena sussurra para mim.
_Senhorita Benson? – um homem vestido com uma roupa branca
fala comigo, ele tem cabelos negros, mas alguns fios grisalhos lhe escapam.
_Sim. – sussurro tão fraca que mal reconheço minha voz.
_Sou seu médico, me chame de Carl, vou fazer alguns exames
em você e depois poderá dormir. – ele fala todo profissional e eu assinto.
Carl levanta meu braço direito, esta cheio de roxo e
arranhado, meu braço esquerdo esta com um gesso assim como a minha perna
direita, a minha perna esquerda esta também toda roxa e ralada, estou vestindo
aqueles aventais de hospital. Carl coloca uma pequena luz em meus olhos e
depois sorri satisfeito.
_Você esta ótima, teve muita sorte Senhorita Benson. – ele fala
e eu dou um sorriso irônico.
_Sorte? – pergunto amarga. _Por quanto tempo eu estive aqui?
– pergunto e vejo seu semblante ficar um pouco preocupado.
_Há mais ou menos dois dias. – ele fala e eu suspiro
assustada.
_Harry esteve aqui por todo esse tempo? – pergunto ainda
espantada por ter ficado dois dias em coma. Ele continua dormindo.
_Sim, Senhor Styles que deu entrada junto da Senhorita. –
Carl fala e caminha até a porta. _Amanhã venho ver se já pode ter alta. – assim
ele fecha a porta.
_Que saudades de você. – falo ainda rouca. _Água. – peço e
Helena assente e me da um copo de água gelado, bebo devagar saboreando, sorri
para ela e lhe devolvo o copo vazio. _Melhor. – minha voz esta mais limpa.
_Precisava ver você, quando Paula me ligou eu só sabia que
precisava te ver. – Helena fala vindo até o pé da cama. _Você é como uma irmã
pra mim, quase morri quando vi você desse jeito. – vejo uma lágrima lhe
escapar, mas logo ela a seca.
_Como Harry esta? – pergunto o encarando, ele murmura algo
em seu sono.
_Devastado, disse que não podia te perder, que precisa
provar que te amava, ele falava tantas vezes que te amava enquanto você estava
em coma. – Helena conta sussurrando.
_Eu tinha acabado de terminar com ele. – falo e ela sorri
torto.
_Achei que estavam indo bem. – ela comenta.
_E estávamos, mas eu fiz uma burrada. – escuto Harry e o
vejo se levantar da poltrona e segurar minha mão. _Me desculpe Carol, eu te amo
tanto, fiquei com medo de jamais te ver.
Eu congelo, aqui estou eu, confusa, porque acabei de acordar
em um hospital, toda quebrada, com uma enorme dor de cabeça, com esse lindo
rapaz me dizendo que me ama e eu também o amo, mas ao mesmo tempo eu tenho medo
da dor que ele pode me causar. Fico presa entre meu coração e minha cabeça.
_Acha que pode me amar? – ele pergunta. Foda-se minha cabeça
eu o amo.
_Te amo desde sempre Harry. – sussurro e ele sorri, me dando
um breve beijo e eu fico escarlate sabendo que Helena esta vendo tudo.
_Bom agora esta tudo acertado é hora dos dois dormirem, vou
para casa avisar a todos. – Helena se despede me dando um abraço desajeitado e
leve, depois acena para Harry e sai do quarto.
Harry deita minha cama e se ajeita na poltrona, ele me
encara, eu o encaro, nós sorrimos um para o outro e eu desejo que esse momento
dure para sempre, não quero dormir e perder de vista seus traços tão
familiares, desejo passar essa noite em claro memorizando cada parte sua.
Nenhum comentário:
Postar um comentário