Cap. 30 (pov. Liam)
Eu não sabia como seria quando
entrasse dentro daquela pequena cabana, minhas mãos tremiam e eu logo desliguei
meu celular caso Paula quisesse se manter informada, eu queria ter aquele
momento sozinho com Helena desde que a conheci e finalmente eu estava a alguns
passos dela. Escutava conversas e sabia
que a TV estava ligada, aquela cabana não era muito grande, porém a sensação de
acolhimento que ela trazia mesmo do lado de fora era sem igual. Suspirei pesadamente
e bati na porta. Então eu estranhei, tudo se apagou e o silencio se instalou no
lugar, minha nuca se arrepiou quando pressenti alguma coisa ruim. Quando me
virei já era tarde demais, fui nocauteado com uma espingarda.
_Liam. – escutei uma voz ao fundo
me chamando, minha sobrancelha latejava e eu senti o gosto inegável de sangue.
_Liam, por favor, fala comigo. – era Helena, ela clamava meu nome como uma
oração. _Olha só o que você fez Adam, não podia ter perguntado quem era? –
escuto ela repreender alguém e sorrio. _Você viu! Liam você esta acordado? –
ela perguntou passando a mão por minha sobrancelha que doía, fiz uma careta e
abri os olhos devagar.
_Dói muito. – murmurei e sua mão
desapareceu rapidamente, olhei ao redor, estava deitado em um pequeno sofá,
tinha um velho homem, o homem que me bateu, ele parecia preocupado e até mesmo
culpado.
_Eu sinto muito. – Helena falou
com voz sôfrega. _Adam desconfia de qualquer um que adentre nas terras do meu
avô. – ela explicou com a voz macia que fez com que a dor na cabeça fosse
embora, mas ainda sentia o gosto de sangue.
_É que aqui todo mundo pode entrar
e eu fico um pouco nervoso com um intruso. – Adam se explicou meio que sem jeito
e eu sorrio torto para ele, minha cabeça volta a doer.
_Tudo bem. – eu murmuro. _Sinto
gosto de sangue, você me bateu mais de uma vez? – perguntei e ele faz que não
com a cabeça.
_É que o sangue da sua sobrancelha
desceu até o canto da sua boca, já limpei e fiz curativo, mas ainda acho que
tem sangue dentro da sua boca. – Helena falou preocupada e saiu por um momento,
quando voltou tinha em mãos um copo cheio de água. _Tome aqui, pode beber. – me
sentei com dificuldade pela vertigem que a dor de cabeça me causou. _Devagar. –
ela sussurrou e eu bebi a água segurando o copo junto de sua mão.
_Estou melhor. – falei devolvendo
o copo, e é incrível que mesmo com a imensa dor de cabeça que eu estava, que
mesmo com a visão um pouco embaçada, Helena continuava linda, a garota mais
linda do mundo.
_Você veio conversar? – ela
perguntou um pouco nervosa e eu assenti. _Então vamos lá fora. – Helena me
pegou pela mão e me levou para fora devagar, fechamos a porta e nos sentamos no
banco em frente a cabana, Adam ligou a TV e acho que aumentou o volume
propositalmente, está escuro e faz um pouco de frio, agora posso até ver que
Helena esta com um pijama de frio todo azul escuro, seus cabelos estão presos e
ela parece não usar maquiagem faz um bom tempo, porque sua pele reflete com a
luz do luar.
_Quem fala primeiro? – perguntei
meio sem jeito e olho para seu rosto que ficou um pouco corado.
_Prefiro que você comece. – Helena
sussurrou envergonhada, mas não tirando os olhos dos meus.
_Tudo bem. – murmurei para mim
mesmo e tentei pensar no que deveria dizer, tentei organizar meus pensamentos,
porque eu iria dizer a coisa mais importante e para a garota que eu amo agora
mesmo e eu mal sabia por onde começar. _Eu preciso que você entenda que eu te
amo, eu realmente te amo, e estou disposto a demonstrar para você que o meu
amor é o mais puro que pode existir. Precisei de toda minha coragem para vir
até aqui, para te encarar e dizer que você é a minha parte que estava faltando,
que quando eu te vi o mundo se fez completo e que eu preciso de você comigo. –
peguei suas mãos e apertei forte. _Mas eu preciso que você me aceite aqui para
ficar o tempo que for preciso para que você finalmente veja o quanto te amo. –
terminei de falar e esperei sua resposta, Helena me encarou, sorriu e me deu um
abraço forte.
Então já se passou duas semanas
desde que tivemos aquele momento, Helena e eu temos nos conhecido bastante, e a
cada dia que passa mais apaixonado eu fico, nós já fizemos tantas coisas juntos
desde que cheguei aqui, aliás, é difícil pensar em um momento em que não estivemos juntos, tirando os momentos de higiene e a hora de dormir. Adam se
ofereceu para dormir no sofá para me dar a sua cama, mas eu simplesmente não
queria tirá-lo de seu conforto, tudo bem que depois de dormir naquele sofá
durante duas semanas minhas costas já não aguentassem mais um passeio de
cavalo.
E como eu amava esses passeios á
cavalo, eu guiava e Helena se agarrava a mim como se não pudesse me soltar
mais, porém não era somente o contato físico que fazíamos durante os passeios
que me deixava feliz, e sim o modo como nos comunicávamos, por exemplo, Helena
me contou que seu pai ainda não aprova sua vinda para Londres para ser uma
dançarina, e eu contei para ela que briguei com a minha mãe para poder vir
atrás dela. Helena ficou um pouco chateada com essa revelação, tanto que me fez
ligar para minha mãe para lhe pedir desculpas, mesmo que não tenha sido minha
culpa.
_O dia parece realmente lindo, não
é? – Helena fala ao meu lado me fazendo voltar para a Terra. Estamos sentados
em frente ao lago, faz um pouco de frio, mas o sol da manhã esta nos aquecendo,
hoje tiramos o dia para caminharmos até o lago. Helena encosta sua cabeça em
meu ombro e vejo que esta sorrindo.
_Realmente um lindo dia. – falo
observando ao longe e lembrando de nossa conversa antes de vir. Helena queria
saber se ficaria muito estranho ela levar um edredom para se cobrir já que não
queria por um sweter, eu disse que não, mas ri do seu edredom, todo branco com
pequenos cavalos pretos estampados.
_Será que Adam vai lembrar de
trazer os ingredientes para o bolo que vamos fazer? – ela pergunta e eu sinto
minhas mãos desconfortáveis por causa das pedras, decido me deitar lentamente,
me surpreendo quando Helena se deita com a cabeça sobre peito. Ela levanta seu
olhar para mim como se esperando minha resposta.
_Provavelmente ele vai esquecer de
todo resto e só vai comprar os ingredientes. – zombo e ela ri, seu tremores
passando por meu corpo e eu sorri junto dela.
_Verdade... Ele não parava de
falar desse bolo de chocolate. – Helena fala se ajeitando em mim, passa um
braço sobre minha barriga e me abraça apertado me cobrindo com seu edredom ela apóia
o queixo perto do meu rosto e passeia sua outra mão sobre meu rosto, á encaro
estranhando seu comportamento, mas não quero que pare.
_O que você tem? – pergunto preocupado,
mas seu rosto esta feliz, brilhante e muito mais lindo com a luz do sol fraco
sobre nós.
_Quero te beijar. – ela sussurra
me surpreendendo.
_Tudo bem. – eu falo, porque eu
não sei o que responder, eu esperei por isso faz tanto tempo que não tenho uma
resposta concreta para ela. Helena sorri, um grande e sincero sorriso mostrando
seus brilhantes e brancos dentes.
Por um momento eu achei que ela
desistiria, mas depois de um instante ela escondeu seu sorriso de menina por
trás de uma expressão de mulher, por um olhar de desejo, então ela passou uma
perna sobre mim, assim ficando montada, apoiou suas mãos do lado da minha
cabeça e se debruçou sobre mim. Fechei meus olhos com a sensação de seus lábios
sobre os meus, acalentando, adorando, tão suave quanto uma pena. Passei meus
braços sobre sua cintura e a trouxe para perto, deitando seu corpo sobre o meu,
o edredom já havia desaparecido de cima de nós, podia sentir a pele macia e
quente dela sobre meus dedos, apenas impedidos por uma barreira fina de sua
camiseta de alcinha feita de seda, mas me contentei em estar daquele jeito. Me
sentei surpreendendo á nós dois, as pernas de Helena se apertaram em torno de
mim me fazendo soltar um gemido rouco, passei minhas mãos por debaixo de sua
camiseta e senti sua pele se arrepiando quando sentiram o quanto minhas mãos
eram ásperas, as mãos de Helena puxavam meu cabelo curto com força, enquanto
nossos lábios se tornaram impacientes e nada mais era o suficiente.
_Helena! – Adam gritou ao longe.
Sorrindo sobre minha boca, ela foi se distanciando me dando leves selinhos.
_Já vamos! – ela gritou me
encarando, devagar tirei minhas mãos de baixo de sua camiseta, suas mãos
soltaram meu cabelo e encontraram apoio em meus ombros, sorrimos feito dois
bobos um para o outro e ficamos ali por alguns minutos, somente encarando,
apreciando e lembrando de nosso beijo.
_Precisamos fazer o bolo. – falo encarando
seus lábios um pouco avermelhados e até inchados.
_Sim... Precisamos mesmo. – Helena
fala sonhadora, me da um selinho e se levanta rapidamente. _Vamos. – ela me
estende a mão e antes de eu levantar pego o edredom, me levanto e jogo o
edredom sobre seus ombros.
Você não tem ideia do quanto pode
ser feliz até que encontra o amor da sua vida. E eu aqui batendo a massa do
bolo, me pego sorrindo para aquela garota que mexe a cobertura no fogão que
sorri para mim. Seus cabelos presos desordenadamente combinam perfeitamente com
ela, coloco o bolo na assadeira e o ponho no forno aquecido, ela continua
olhando para mim, mesmo sem parar de mexer a cobertura, passo meu dedo na
tigela que ainda tem um pouco de massa de bolo e chego devagar ao seu lado e
então parece uma cena de filme, a lambuzo, ela desliga o fogo, corre para a tigela
e faz o mesmo comigo, logo estamos tão entretidos em nossa brincadeira que mal
percebemos que a cobertura esfriou, que logo o bolo fica pronto e que Adam esta
a poucos passos de nós. E sem se importar com qualquer coisa, nos aproximamos e
nos beijamos, saboreando o gosto da massa do bolo em nossos lábios, bochechas e
até mesmo queixo. Depois nos encaramos e sorrimos. Porque é isso que pessoas que
amam fazem, sorriem umas para as outras, sem medo de ser feliz, esquecendo de
qualquer problema.
Então saímos da cozinha, passamos
por Adam que esta vendo sua TV, tentando não parecer assustado com a situação,
vamos para o banheiro, eu pego uma toalha a molho e limpo Helena, ela faz o
mesmo e me limpa e quando estamos limpos, nos beijamos novamente. Corro para a
cozinha a deixando sozinha quando lembro do bolo, chego a tempo de tirá-lo do
forno sem que queime, o tiro da forma e jogo a cobertura dura sobre ele. Está
feio que nem parece comestível, mas o cheiro é tão bom, quanto o cheiro do
amor. E como é o cheiro do amor? Essa é fácil, é o cheiro da sua pessoa amada,
esse é o cheiro que o amor deve ter.
_Ficou delicioso! – Adam fala isso
mais uma vez tomando um pouco de seu chá e comendo seu terceiro pedaço do nosso
bolo.
_É bolo de amor. – murmuro encarando
Helena que sorri envergonhada.
_É o melhor que já comi, mas
também o mais feio. – ele fala sorrindo.
_Eu tive um problema com a
cobertura. – Helena fala rindo, sem esconder seu divertimento.
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