Cap. 29 (pov. Harry)
Deito relaxado no grande sofá da
casa de Carolina, estou aqui já faz um tempo, só fui para minha casa buscar
algumas roupas, ela está no escritório, então a casa é praticamente minha...
Praticamente, porque tem umas duas mulheres limpando tudo, dois seguranças que
passam ás vezes pela sala para me olhar e tem também Melline, que vive vindo
ver se eu quero alguma coisa. Reflito sobre essa pergunta ás vezes. O que eu
quero? Eu não sei ao certo, mas por enquanto eu estou feliz tendo Carolina
comigo, ficando em casa, dormindo com ela em meus braços, não me falta nada...
Bem, talvez falte àquela agitação das minhas saídas á noite, falta ver gente
diferente, falta dançar e beber um pouco. Mas não posso deixar Carolina saber
disso, ela me parece tão feliz, relaxada e até mesmo mais sorridente, me parece
que ganhou um certo peso, não que esteja gorda, mas ela estava a ponto de ficar
esquelética, sempre trabalhando e nunca se dando um tempo, ou se deixando
cuidar da própria saúde.
_Senhor Styles? – Melline me chama
mais uma vez, detesto que me chama de senhor, parece que tenho 100 anos.
_Sim? – pergunto levantando meu
olhar para ela.
_A senhorita Carolina me pediu
para lhe informar que voltará para casa mais cedo, acho bom o senhor tomar uma
ducha e se arrumar para o jantar. – ela fala toda profissional e dá as costas e
sai andando, sem mesmo esperar eu responder.
Bom, já que Carolina esta
voltando, corri para o banho, não que eu não tenha tomado banho de manhã, mas
eu fiquei o dia todo de roupão e cueca pela casa, acho que seria bom ela não me
ver todo amassado, não parece atrativo que a primeira coisa que ela ver em casa
seja seu namorado com cara de preguiça esparramado por seu sofá. Tomo um banho
relaxante, decidi não usar a banheira dessa vez, preferi o conforto e a
praticidade do chuveiro, procurei alguma coisa para vestir, uma camiseta branca
com um desenho engraçado, uma cueca boxe vermelha e uma bermuda jeans, nada de
tênis ou chinelo, preferia andar descalço, como Carolina.
_Senhor Styles? – Melline me chama
do outro lado da porta, corro e a abro.
_Precisa de alguma coisa Melline? –
pergunto e ela apenas assente.
_Senhorita Carolina me pediu um
banho de banheira, parece que o dia foi estressante. – ela fala e passa por
mim, vou atrás dela no banheiro, quero saber o que aconteceu no trabalho e
talvez Melline saiba.
_Ela te contou o que aconteceu? –
pergunto curioso, Carolina me parecia tão tranquila nesses dias que se
passaram.
_Nada demais, acho que Scott foi
contratado por uma agência de modelos em Nova Iorque. – Melline fala enchendo a
banheira com água quente, sais de banho e alguns óleos, o cheiro é de jasmim e
rosas.
_Mas ela parecia triste no
telefone? – pergunto, se ela ficar triste porque ele foi embora nós vamos ter
nossa primeira discussão.
_Talvez você possa falar com ela,
acabo de ouvir o barulho de seu carro estacionar aqui em frente. – ela fala e
por um momento me pergunto como ela ouviu o barulho do carro e eu não? Mas sou
disperso porque estou bravo e não sei o motivo, bem... Eu sei, mas não vou
deixar tão á vista.
_Harry! – Carolina cantarola e sei
que está subindo as escadas, seus saltos fazem barulho quando ela pisa em cada
degrau, mesmo que a escada seja de vidro.
_No quarto Carol! – grito e acho
que assustei Melline porque ela treme um pouco antes de passar por mim deixando
o quarto, olho para a banheira e vejo a espuma densa.
_Ah... Oi querido. – Carolina chega
na porta do quarto e joga sua bolsa no chão, a bolsa do notebook ela coloca em
cima da cama, não consigo nem responder, pois seus braços estão á minha volta e
seus lábios estão no meu, me beijando com gosto de saudade.
_Nossa! O que é isso? – pergunto soltando
ela, Carolina me olha com duvida, não consigo esconder. Estou com ciúmes!
_Saudades. – ela fala docemente e
sorri, pronto! Meu coração se derrete, mas eu permaneço firme, quero saber o
que aconteceu com Scott e como ela esta.
_Escutei que Scott foi para Nova
Iorque. – murmuro um pouco distraído, Carolina está tirando sua saia social
cinza, sua camisa branca agarrada e agora só veste calcinha e sutiã, ela já se
livrou de seus sapatos de salto alto e caminha até o banheiro, puxa um
banquinho ao lado da banheira e acena para eu me sentar.
_Se vai brigar comigo, pelo menos
brigue enquanto tomo banho, quero relaxar de uma só vez. – ela fala decidida e
eu me sento, assistindo seus movimentos enquanto retira as ultimas peças de
roupa que cobrem seu corpo e entra na água, seu rosto suaviza, como se ela
precisasse somente daquilo.
_Por que acha que vamos brigar? –
pergunto petulante.
_Porque você não suporta Scott
tanto quanto ele te odeia. – Carolina fala brincando com a espuma.
_Vamos brigar dependendo da sua
reação quando ele foi embora. – digo fixando meu olhar no dela.
_Minha reação foi normal, ele me
disse que iria embora, eu o abracei, lhe dei tchau e chorei, é completamente
normal ficar chateado quando alguém querido vai morar longe. – Carolina fala se
ensaboando e passando água no seu rosto.
_Chorou? – pergunto e percebo que
gritei porque faz eco por todo o banheiro.
_Sim Harry eu chorei, ele é meu
amigo acima de tudo eu vou sentir falta dele. – ela diz como se fosse algo
normal.
_Ele é outro homem! Você não pode
sentir falta dele estando comigo! – minha voz sai desesperada e não sei por que
estou fazendo essa cena, não é do meu feitio.
_Por que você está gritando? –
Carolina pergunta perplexa. _Scott foi embora, eu fiquei triste, ponto final,
agora se me dá licença eu vou terminar de tomar banho. – ela aponta para a
porta e eu bufo me levantando.
_Essa discussão ainda não acabou! –
grito e fecho a porta com força, ando de um lado para o outro no quarto até que
decido me sentar, Carolina demora mais um pouco e depois sai do banheiro
enrolada em seu roupão.
Ela entra em seu closet e sai de
lá segurando suas roupas, um shorts de algodão vermelho, uma camiseta de seda
preta e sua lingerie preta. Me encara de canto de olho quando coloca tudo do
meu lado na cama, retira seu roupão e o deixa cair no chão, prendo a
respiração, estou tentado a tocá-la, mas como ainda estou com raiva e ciúmes,
cerro meus punhos do lado dos meus quadris, Carolina vê e sorri vitoriosa, ela
esta gostando de me torturar, lentamente se veste e quando termina suspira
pesadamente como que se preparando para brigar e se senta ao meu lado, cruzando
as pernas para ficar cara a cara comigo.
_Me diga o que esta te incomodando
tanto, não pode ser só por causa de Scott. – e quando ela diz isso que em cai a
ficha, não é apenas por ciúmes, mas é porque eu tenho sido domesticado já faz
duas semanas.
_Eu não sei. – sussurro, não quero
que Carolina pense que estou indo embora.
_Sério Harry pode me contar tudo,
eu estou vendo a sua briga interna só pelo seu olhar. – ela murmura passando
levemente sua mão por meu rosto, me sinto relaxar um pouco, os nós de meu dedos
estão brancos.
_Não posso ser guardado dentro da
sua fortaleza. – sussurro de olhos fechados e então sua mão some.
_O que você quer dizer com isso? –
Carolina pergunta e vejo temor em seu rosto.
_Só que preciso de um pouco da
minha liberdade, eu adoro ficar aqui com você, esperando você voltar do
trabalho e então você chega, nós jantamos e fazemos amor, essa vida é boa, mas
não o suficiente para mim. – tento me expressar o melhor que posso, porém sua
expressão se alarma ainda mais.
_Não te faço feliz suficiente? –
ela pergunta com seu olhar perdido e lá está a menina por quem me apaixonei,
mas também lá está a menina que eu abandonei duas vezes.
_Não é isso, eu adoro ficar aqui
com você eu quero continuar aqui, mas eu preciso de um pouco de liberdade
também. – falo tentando não perder o controle.
_Então você quer conhecer outras
pessoas? É isso? – Carolina pergunta elevando sua voz, de repente ela se levanta
e começa a andar de um lado para o outro, arrumando seu cabelo preso.
_Não é isso Carolina, eu só quero
sair mais! Poxa eu ainda preciso de uma boa balada. – grito e ela para não
minha frente.
_Se a balada é mais importando do
que eu... – ela toma fôlego. _Então eu não te quero na minha vida, porque a
minha vida começa e termina com você, não posso ficar com você sabendo que você
precisa de baladas e noites de festa para ser feliz.
Sou tomado pelo pânico, não foi isso
que eu queria! Não era isso que eu imaginava aonde essa conversa terminaria. A
minha vida começava e terminava com Carolina sim, será que ela não via isso? Eu
só precisava relaxar algumas vezes na semana, precisava daquelas coisas banais.
Mas Carolina me dizendo aquilo foi como um soco no estomago.
_Você acha que eu não te amo? –
pergunto e ela me olha cansada.
_Não sei mais no que acreditar,
achei que isso era suficiente. – Carolina fala mostrando sua casa e apontando
para seu coração. _Acreditei que te entregando meu coração nada mais faltaria,
mas eu me enganei de novo.
_Não é verdade. Eu amo você, mas
você é muito preto no branco. – falo caminhando até ela. _Quero continuar freqüentando
festas, mas quero tudo isso com você. – a abraço e espero até que ela fale.
_Pensei que estava desistindo da
gente. – Carolina murmura e levanta seu olhar para mim.
_Nunca mais. – falo sorrindo e ela
sorri com lágrimas nos olhos. _Não chore, vamos arranjar um jeito de encaixar
nossas saídas nas nossas agendas super lotadas. – falo e ela assente.
E nesse momento posso ver como
Carolina é frágil e forte ao mesmo tempo, amarga e doce, ela é toda a
contraversão em uma única pessoa, toda segura de si, mas morrendo de medo de
ser abandonada mais uma vez. Meu coração se aperta, porque eu também tenho medo
de ela me abandonar e eu sei que vou fazer algo extremamente estúpido para
perdê-la, esse pensamento me enche de pânico. Seria eu capaz de feri-la mais
uma vez?
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