Cap. 37 (pov. Zayn)
Sabe o que é ter uma namorada como a Paula em um dia que ela
está estressada? É horrível, ela fica muda, te olha atravessado e o pior, não
quer saber de beijos. Mas o pior do que ter Paula estressada um dia é ter ela
estressada em um dia que eu tenho reunião da banda. Meu Deus! Como ela pode ser
chata! Mas mesmo assim aqui estou eu, tomando meu café da manhã com ela,
tentando ter um papo agradável, mas ela não me dá brecha. Paula não vai
trabalhar hoje, portanto tenho ela pelo dia todo, ficaria feliz com essa
noticia, se ela não estivesse tão insuportável. Depois do nosso café silencioso
fomos para a empresa de Carolina, queria dizer que Paula está linda e tento
passar a mão em sua perna, mas ela bate na minha mão e eu desisto. Ela está
irresistível com uma saia de couro preto, uma bota baixa, uma camisa branca e
uma jaqueta jeans, seus cabelos estão bagunçados e ela parece realmente sexy.
_Não vai me dizer o porquê de todo esse mau humor? –
pergunto estacionando em frente a empresa de Carolina.
_Que mau humor? – Paula bufa e sai do carro, faço o mesmo.
_Estou no meu melhor humor hoje. – ela ironiza e entramos no prédio.
Sei que estamos atrasados porque já posso ver o carro dos
outros na rua, mas antes que possamos pegar o elevador Carolina nos chama.
Estranho ela estar no primeiro andar. Ela parece estar tão doente, magra,
pálida, mas não perde a pose de CEO, ela sorri para nós e vem até nós á passos
decididos.
_Precisava perguntar uma coisa á vocês. – ela diz, Paula e
eu assentimos. _Little Mix foram escaladas para abrir os shows da banda, tudo
bem? – Carolina pergunta para nós dois, mas sei que está esperando a resposta
apenas de Paula.
_Não entendo... – Paula murmura falando para si mesma,
depois olha para Carolina. _Não sei. – ela finalmente diz e por um nano segundo
sai da sua zona de mau humor, indo para a zona da vulnerabilidade.
_Vamos ver isso. – Carolina fala e o elevador chega, nós
três entramos e um silencio perturbador se instala, não quero que Paula veja
que estou feliz por viajar a turnê toda com Perrie.
Quando chegamos a sala de reunião, acertamos tudo, detalhe
por detalhe, tentamos não nos abalar pelo pequeno berreiro que Paula fez, e
conforme as coisas andavam eu percebi o porque de Carolina estar fraca, ela e
Harry deviam ter brigado, porque a cara dele não era das melhores e ela fazia o
possível para não olhar para ele, o evitando a qualquer custo. Então quando
finalmente a reunião veio ao fim, Carolina nos espantou desmaiando nos braços
de Liam, Harry correu até ela, mas por um momento ele ficou indeciso se a
pegava em seus braços, finalmente ele a tomou em seus braços, nesse meio tempo muitas coisas aconteceram, eu
chamei os médicos do prédio, eles levaram Carolina para o hospital e eu sabia.
Sabia que quando ele á conseguisse, Harry iria estragar tudo e acabar de vez
com Carolina. Pobre garota, não tem ninguém para se apoiar, não tem nada para
se apegar e a única pessoa que ela ama é um idiota. É o idiota do meu amigo.
_O que será que ela tem? – Paula sussurra do meu lado na
sala de espera do hospital, estamos todos aqui, Liam, Helena, Niall, Louis e
Harry, que não diz nada.
_Não deve ser nada, apenas uma queda de pressão. – murmuro
segurando sua mão fria e eu sei que Paula está louca de preocupação, Carolina é
importante para ela, assim como para nós da banda, mas Carolina está sozinha
nesse mundo, porque é nos pais e nos parentes que nos apegamos, que nos
seguramos.
_Ela não come por vários dias sabia?! – Paula fala do meu
lado e eu me viro para fitar seu olhar preocupado, seus olhos marejados e um
pouco de sua raiva. _Carolina tem que parar de fazer essas coisas, ela sabe que
me preocupa, ela sabe que machuca, mas ela sempre faz a mesma coisa.
_Calma... – sussurro segurando seu queixo delicadamente e
lhe dando um selinho casto, ela visivelmente relaxa e eu também. _Vai ficar
tudo bem. – sorrio porque eu senti muita falta de seus lábios e não tinha me
dado conta disso.
_Algum parente da senhorita Benson. – o médico pergunta, mas
já sabe a resposta, é ele quem sempre cuida de Carolina.
_Podemos entrar? – Paula pergunta e o médico assente.
Todos entramos e nos deparamos com um segurança em sua
porta, não tinha reparado nele, no quarto ela está deitada com suas roupas
normais, mas agora seu cabelo está solto e Carolina tem um soro injetado em sua
veia. Ela nos olha e sorri fraco, seus olhos passeiam pelo quarto e travam em
Harry, de repente tudo muda, Carolina se endireita mesmo fraca, seu rosto
endurece e ela grita.
_Tirem ele daqui! – todos ficamos espantados e ela continuar
á gritar. _Tirem esse idiota daqui!
_Vai embora Harry. – Helena fala complacente.
_Quero ver se ela está bem. – Harry tenta se explicar, mas
seu olhar angustiado indica outra coisa.
_Sai daqui. – Carolina fala entre dentes. _Segurança! – ela
grita e o homem alto entra, vestido totalmente de preto, ele parecia um
armário, sua arma exposta ao lado de seu braço e seu rosto impassível.
_Senhora. – ele apenas diz.
_Tire todos daqui, se ele não sai por bem então todo mundo
sai. – Carolina tem a voz controlada, mas seus olhos estão cheios de lágrimas
prestes a saírem.
_Carolina. – Paula pede.
_Saiam. – ela fala e se deita virando seu rosto.
O segurança mostra a porta e todos saímos em fila, Paula cabisbaixa
e quase tenho certeza de que ouvi Niall dizer que ficaria. Essa certeza se
concretiza quando a porta é fechada com Niall ainda lá dentro. Harry anda
rapidamente até sair do hospital e eu mal vejo que estou seguindo ele junto de
Paula. Ela está furiosa quando puxa o braço de Harry antes que ele possa abrir
seu carro.
_Escuta aqui seu idiota prepotente! – Paula grita apontando
um dedo no rosto de Harry que fica espantado. _Você já ferrou com a vida da
minha amiga muitas vezes, mas se ela não conseguir se recuperar eu vou fazer
você se arrepender pelo resto da sua vida.
_Paula. – a chamo tentando acalmá-la, ela me olha por um
segundo e volta sua atenção para Harry.
_Carolina já está bastante quebrada, não tem mais nada nela
que você possa destruir, então se você não quer ter uma vida com ela, por
favor, saia antes que eu te machuque e não vai ser psicologicamente.- Paula
avisa, sua voz agora baixa, controlada e mortal. _Eu vou entrar naquele
hospital e vou ajudar minha amiga, e eu espero que nunca mais você a machuque.
_Não quero machucá-la. – Harry pela primeira vez fala, sua
voz rouca e cansada.
_Mentira! – Paula grita e sorri ironicamente. _Escuta Harry,
ela não tem família, tem poucos amigos e já viveu muita merda por sua causa, só
a deixe em paz. – ela fala lentamente as ultimas palavras. _Entendeu?
_Sim. – Harry sussurra.
_Ótimo. – Paula o larga e volta para o hospital, eu fico
ali, encarando Harry.
_Sinto muito cara. – consigo falar. _Não sei o que Paula
tem.
_Ela tem razão. – ele fala se encostando no carro.
_O que você fez para Carolina dessa vez? – pergunto e ele
balança a cabeça em negativa.
_Prefiro não falar. – ele diz engolindo seco. _E você? Já se
decidiu quanto a Perrie? – sua pergunta me pega desprevenido.
_Não sei. – confesso. _Amo ter Paula, ela é tudo, mas ao
mesmo tempo quando penso em Perrie... Paula vira nada. – falo cansado.
_Você sabe que vai fazer a maior burrada da sua vida se
escolher Perrie. – Harry fala me encarando sério.
_Olha só quem fala. – ironizo e ele entorta o nariz.
_Você é quem sabe, estou indo. – ele fala dando a volta no
carro e entrando, dou um aceno quando ele vai embora.
Espero Paula sair do hospital e depois vamos para casa, seu
humor parece ter melhorado significativamente, está sorrindo e brinca comigo.
Quando chegamos em casa Paula vai direto para o quarto e começa a arrumar sua
mala, colocando tudo o que lhe pertence lá dentro, fico confuso e me coloco na
frente dela a impedindo de ir para o closet.
_O que você está fazendo? – pergunto com a respiração rápida.
_Indo embora. – ela simplesmente diz isso.
_Por quê? – pergunto zonzo. Paula suspira e passa as mãos
pelos cabelos, seus olhos se enchem de lágrimas, mas ela não as deixa cair, por
um momento ela me encara, passa a mão por meu rosto e eu fecho meus olhos.
_Eu sinto muito. – Paula murmura e termina de fechar sua mala,
passa por mim com sua mala em mãos, pega a chave de seu carro e sai do quarto,
eu ainda em choque saio obediente andando atrás dela, consigo alcançá-la antes
que ela tenha tempo de abrir a porta da frente.
_Paula... Por que você está indo embora? Pensei que
estávamos bem. – falo confuso, não fiz nada que ela não quisesse, até aturei
seu mau humor.
_Não sinto mais nada por você. Sinto muito. – e quando Paula
diz essas palavras indo embora eu fico ali parado. Como isso aconteceu em um
dia? Como Paula que disse tantas vezes que me amava partiu desse jeito? Sem uma
briga? Sem uma discussão? E o vento que invade minha casa pela porta da frente
m deixa frio, mas estou frio por dentro também, ando devagar até a porta e á
fecho. Estou em estado de choque, ando arrastando meus pés até o sofá e caio no
mesmo. Fico olhando para o teto até que seja de madrugada. Não tenho sono, não
tenho fome, não tenho Paula, não tenho nada.
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