Cap. 35 (pov. Harry)
Carolina está eufórica, acabamos de sair do médico, ela
saltita devagar com medo de machucar sua perna e mexe em seu braço que agora
está sem gesso. Ela sorri e me abraça enquanto andamos até meu carro, abro a
porta para ela e dou a volta no carro, entro do meu lado.
_Mal posso acreditar que estou indo trabalhar! – ela quase
grita de tanta felicidade.
_Nunca vi alguém ficar tão feliz por ir trabalhar. – murmuro
tristemente, queria passar mais tempo com ela sem ter a pressão de seu
trabalho.
_Vou sentir falta de ficar perto de você. – Carolina fala
passando a mão na minha nuca enquanto dirijo por Londres, olho para ela,
impecável como sempre, saia lápis cinza colada ao corpo, camisa de linho branca
e um lenço de seda cinza enrolado em seu pescoço, agora que está no carro abriu
seu enorme casaco preto que vai até seus joelhos.
_Também vou sentir a sua falta. – sussurro e acho que ela
não me ouviu, já que está de novo com o celular colado na orelha ditando ordens
para Jannet, pobre coitada. _Acha que no jantar poderíamos ir a um restaurante?
– pergunto com a plena consciência de que ela ainda está no telefone, mas me
surpreendo quando Carolina acena com a cabeça dizendo sim.
Ela apóia o celular entre seu ombro direito e retira a mão
da minha nuca, pega sua bolsa que estava sobre seus pés e remexe nervosa,
suspira aliviada quando pega um papel lá de dentro. Volta a se concentrar em
Jannet e grita com ela, penso mais uma vez, pobre garota, Carolina vai voltar
com tudo para o trabalho e voltara a maltratar Jannet, que eu tenho plena
consciência de que nem liga mais para os insultos de Carolina.
_Onde quer ir? – Carolina pergunta e eu fico surpreso
olhando para ela. _Harry aonde quer ir? – ela pergunta mais uma vez lentamente,
eu sorrio com ironia e respondo voltando meus olhos para a rua.
_Qualquer lugar calmo. – falo e ela assente, percebo que
ainda está no celular, ela pede para Jannet nos reservar uma mesa em algum
restaurante e quando ela desliga o celular fico ciente do que eu disse. Pedir
para ir á um lugar calmo não se parecia comigo, aliás, esse cara dando um de
motorista da namorada mandona não se parecia comigo, e as coisas que eu vou
fazer depois que deixar Carolina no trabalho não se parece com as coisas que eu
faria normalmente. Eu iria á uma floricultura, compraria belas rosas e depois
entregaria pessoalmente no escritório de Carolina, depois iria ensaiar um pouco
e ligar para Carolina ver se ela havia gostado das flores e se ela estava bem.
Penso e penso... Eu não vou fazer isso!
_Você está calado. – ela fala encarando meu perfil, atenta á
mim. _Não gosto do Harry calado.
_Estou bem, só um pouco cansado. – minto, eu não estou bem,
estou perdendo minha essência.
_Espero que seja só isso. – Carolina sussurra encarando o
horizonte. _Sei que vou ficar mais distante agora, mas eu gosto de ter meu
tempo com você. – enquanto ela fala, eu penso que não tem nada a ver com ela, o
tempo que ela dedicou á mim e eu á ela, foi o melhor tempo que já tive, mas eu
estou começando a perder o que eu sou.
_Estou bem. – digo com mais firmeza do que queria e ganho um
sorriso cansado de Carolina, pronto! Agora ela vai ficar intrigada.
Quando a deixo no trabalho ganho um selinho rápido dela, que
sai em disparada para dentro de seu prédio, passos decididos e um olhar que faz
com que todos comecem a trabalhar. Fico parado por um tempo em frente ao
prédio, querendo subir até seu escritório e dizer que eu á amo, que fui um
idiota, mas eu apenas não consigo fazer isso, tão pouco quero. Me vejo
dirigindo por Londres sem ponto algum de chegada, não quero ensaiar também,
ironicamente eu passo por pelo menos cinco floriculturas, mas quando chego no
meu local de escolha não existem rosas nesse lugar.
Ando rapidamente e entro no bar antes de ser fotografado,
sei que á pouco passou o almoço e é cedo para bebidas, mas eu preciso me livrar
desse namorado exemplar por um tempo, bebo muito, porque sei que quando a noite
chegar devo me comportar, mas o tempo passa e eu bebo cada vez mais, o dono do
bar me conhece e manda uma garota se sentar ao me lado para me servir. Sim eu
vim para um Streep Bar, é aconchegante aqui e escuro. Eu não queria alguma, só
queria beber, me recompor antes do horário de buscar Carolina e ir jantar com
ela, depois ter uma noite de amor.
Droga! Eu acabei de falar que fazemos amor? Não pode ser,
estou virando um merda. A garota loura, magra e toda maquiada se senta no meu
colo, serve as doses em minha boca, não quero ela em cima de mim, mas deixo ela
fazer seu trabalho. Isso não é trair, é deixar ela me servir. Vejo que já se
passou das 6 da tarde, quando termino minha garrafa de tequila, quero ir
embora, tiro a garota do meu colo, levanto um pouco zonzo e lhe entrego sua
gorjeta, pago o que consumi e a passos vacilantes vou para o carro. Me apoio ao
lado da minha porta, abro a porta e quase caio, mas me seguro, me jogo para
dentro do carro, fecho e tranco a porta, então eu durmo.
_Você está bem amigo? – o segurança do lugar bate na minha janela
me assustando, percebo que está muito tarde, minha tontura passou, mas eu me
sinto perdido.
_Só peguei no sono. – falo com a voz rouca, minha boca tem
um gosto amargo. _Que horas são? – pergunto preocupado que devo ter perdido o horário
de buscar Carolina.
_Já passa da meia noite camarada, só vim avisar que seu
carro está atrapalhando o fluxo das garotas, será que da pra mover? – ele fala
e eu congelo no tempo. Eu perdi o jantar! Porra! Eu esqueci Carolina e perdi o
jantar, arranco com o carro e saio e disparada para sua casa.
Enquanto dirijo vejo que tem pelo menos quinze ligações suas,
e algumas mensagens de voz. Eu não sei o que faço, não sei se sorrio por voltar
a ser quem eu sou, ou se me bato por fazê-la se preocupar e pior me esquecer
dela. Paro em seu portão e vejo que tem mais guardas do que o normal, eles
estão em frente ao portão, coisa que é difícil de se ver, já que eles sempre
ficam em suas cabines. Todos vem com suas lanternas em direção ao meu carro.
_Senhor Harry. – um deles me cumprimenta, ele parece triste
em me ver. _Senhorita Benson não estava com o senhor? – sua pergunta me pega de
surpresa.
_Não, eu me atrasei para buscá-la e não fui ao nosso jantar,
pensei que ela estaria aqui. – falo sem fôlego, rogo em meus pensamentos, que
nada aconteça com ela.
_Disso sabemos, mas achamos que iria acompanhá-la para o
jantar, ela disse que queria um pouco de privacidade então não nos deu
permissão de acompanhá-la. O estranho é que no restaurante dizem que ela já foi
embora cerca de duas horas atrás, já chamamos os policiais e seu chip de rastreamento
está desativado. – cada vez que ele fala é como se a bebida voltasse para minha
boca e voltasse para meu estomago, estou confuso e com medo.
_Tentaram seu celular? – perguntei.
_Sim senhor, mas ela não atende e como eu disse ela
conseguiu desativar o chip de rastreamento, estamos de braços e pernas atados,
Melline está surtando e não sabemos o que fazer. – ele parece triste consigo
mesmo, mas eu não consigo parar de pensar em Carolina em perigo.
_Vou procurar ela pela cidade. – falo saindo com o carro e
recebo um aceno cansado dele.
Dirijo por todos os lugares possíveis que Carolina poderia
estar, mas não á achei em lugar algum, quando se passava da madrugada escutei
suas mensagens de voz. A primeira ela diz que está preocupada e que está
esperando na calçada por mim. A segunda ela diz que pegou um táxi. A terceira
ela está no restaurante, ela me amaldiçoa baixinho. A quarta parece que está
preocupada, ela avisa que deixou o restaurante. E na ultima e quinta mensagem
ela diz que está indo para minha casa me esperar lá. Desligo o celular e vou a
toda para minha casa. Passo direto pelo porteiro e estaciono torto em frente a
minha casa, abro a porta rapidamente e encontro Carolina deitada no sofá, a
televisão ligada em um programa bobo de fofoca. Ela está dormindo, seu vestido
longo de um tom de azul marinho todo cortado propriamente para seu corpo
perfeito, ele é sem mangas e assim posso ver seu decote sem defeito, seus
sapatos estão no chão e ela parece sonhar com algo ruim.
_Carolina. – sussurro me aproximando dela, me ajoelho ao seu
lado e passo a mão por seu rosto, perfeitamente maquiado. _Carol. – sussurro mais
uma vez e ela levanta rapidamente.
_Graças a Deus. – ela murmura me surpreendendo e me
abraçando forte. _Graças a Deus você está bem Harry, estava com tanto medo. – e
me deixando abismado ela chora baixinho em meu ombro, provo de seus alivio e da
minha culpa. Sou um idiota.
_Você precisa ligar para seus seguranças. – falo e ela assente
secando suas lágrimas persistentes, ela liga seu celular e disca alguns números,
ela fala com Melline que parece xingar Carolina do outro lado da linha, quando
todos estão sabendo que ela está bem eu me sento ao lado dela.
_Fiquei tão preocupada. – Carolina fala com um tom de voz
tão baixo que faz meu coração cair até meu estomago tamanha é a culpa que estou
sentindo.
Devagar ela se senta sobre mim, montada, me dando beijos
leves como plumas, saboreio seu gosto e o gosto de suas lágrimas, apoio minhas
mão em sua cintura e me deixo perder no momento. Por um momento penso que ela
vai deixar de me beijar para fazer perguntas, mas ela não o faz, Carolina se
levanta e abre seu vestido que cai em cascatas nos seus pés, olho hipnotizado
para ela, que não veste nada além de uma calcinha de renda preta. Estendo
minhas mãos a faço montar novamente no meu colo, minhas mãos viajam livres por
seu corpo torneado, curvas firmes e pele macia. Nosso beijo começa a nos
devorar ao meio e assim eu tiro minhas roupas á deitando no sofá e cobrindo meu
corpo com o dela. Então devagar e carinhosamente eu faço amor com ela até
arrebentarmos nossas estruturas.
_Onde você estava? – ela pergunta sem fôlego deitada sobre
meu peito.
_Você quer realmente saber? – devolvo a pergunta e ela se
levanta para me encarar.
_Sim. – seu corpo fica tenso contra o meu quando ela diz
essas palavras com firmeza.
_Fui á um bar e acabei bebendo muito. – confesso e ela me
encara, fúria passando rapidamente por seus olhos.
_Que tipo de bar? – ela pergunta, mas já sabe a resposta.
_Esse bar que você está pensando. – falo e por um momento
acho que ela vai ficar, porque ela me abraça tão ternamente que me faz sentir
feliz mesmo sendo um idiota, mas então ela se levanta abruptamente, se veste em
tempo recorde e eu sigo seu exemplo me vestindo também. _Aonde você vai? –
pergunto atrás dela quando ela corre para a porta da minha casa.
_Para um lugar longe de você. – ela fala de costas para mim
e eu sei que está chorando.
_Por quê? – pergunto e quero me bater por ser a pergunta
mais idiota do mundo que eu já fiz.
_Porque... – Carolina fala e suspira, então ela se volta e
me encara. _Porque você me faz mal. – e quando ela diz isso me dou conta das
verdades nessas palavras. _Estou indo para minha casa, vou pedir um táxi da
portaria, não que seja da sua conta.
_Espera. – eu digo antes de ela cruzar a porta que agora
está aberta.
_O que? – ela pergunta ainda mantendo sua voz plana.
_Não quer saber por que eu fui para aquele bar? – pergunto me
aproximando dela.
_Nada que você faça é da minha conta a partir desse momento,
não quero saber nada sobre você. – ela murmura.
_Foi por isso que eu fui para aquele bar! – eu grito
assustando á ela e á mim. _Porque toda vez que eu faço uma burrada é sempre
minha culpa! Você poderia pensar uma única vez que você me faz mal! – seus olhos
arregalados me disseram que eu fui longe demais.
_Eu te faço mal? – ela gritou perdendo todo seu controle.
_Harry se escuta! Você é o cara mais imbecil que eu já vi! Você me deixou
sozinha seu merda! Não uma, não duas, mas três vezes! Eu te dei a merda da
chance que você pediu todas as vezes que você pediu! Todas as vezes que você me
fazia mal, eu pensava que poderia ser eu, mas não, é tudo sua culpa! Nunca
mais, nunca mais, nunca mais... – ela colocou a mão sobre seu peito arfante,
seu choro á rasgando por dentro e então ela disse. _Nunca mais vou te amar. – e
saiu porta á fora correndo.
_Carolina! – gritei, mas ela não voltou ou respondeu meu
chamado. Cambaleei até o sofá e m dei conta que estava chorando, lágrimas
escaldantes me deixavam doente, me deixavam cansado, arrancavam tudo de mim,
assim como Carolina fez quando saiu pela porta, ela arrancou tudo de mim quando
disse aquelas palavras e dessa vez eu sabia que não havia volta. _Droga! –
gritei. _Carolina! – gritei seu nome, meu choro me tirando o ar, me tirando a
vida e então eu apaguei no sono mais perturbado da minha vida.
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