Cap. 27 (pov. Helena)
Fechando aquele pequeno bilhete eu
choro, passo esse pedaço de papel embaixo da porta do camarim de Paula e saio
correndo pelo corredor com medo que não dê tempo de eu escapar sem que ninguém me
veja, não quero ver ninguém, falar com ninguém e muito menos quero que alguém me
encontre. Estou fugindo, uma coisa da qual não me orgulho, se papai descobrisse
que desisti de meu sonho e que agora estou desempregada, não pensaria duas vezes
em vir me buscar para que eu fizesse uma faculdade.
Sem problema algum saio do local
do show, pego um táxi e busco minhas roupas no hotel, ainda bem que para o
lugar que eu vou não se precisa usar tantas roupas novas, pego outro táxi e vou
lhe indicando para onde deve ir. Suspiro aliviada e desligo meu celular, não
quero mais chateações, eu preciso de paz e tranquilidade e para onde estou indo
posso ter essas duas coisas com a maior facilidade.
Conforme a viajem se prolonga me
pego pensando em Liam, será que ele já sabe que eu desisti de tudo? Será que
agora que eu sai ele vai voltar para One Direction? E penso também que ele
realmente me amava. Desistir de tudo só para não me ver com outro alguém me
parece uma decisão extrema para ele. Liam nunca foi do tipo que fugia dos
problemas e agora ele corre para a casa da mãe por minha causa. Meu coração se
aperta e lágrimas me escapam, ele desistiu de tudo por me amar, e eu sequer lhe
dei uma chance.
Quando finalmente o táxi estaciona
em frente á um grande portão de ferro preto, com um grande muro de pedras
cobertas por folhas e musgo, no meio de uma grande floresta de pinheiros, eu
sorrio, porque eu sei que aqui é meu lugar. O motorista me olha com duvida,
achando que deve ter pego o caminho errado, eu sei que esse lugar não parece
atrativo para fora do grande muro, até parece um pouco assustador, mas medo é o
que eu menos sinto quando estou aqui, pelo contrário, me sinto relaxada e
protegida. Pago a corrida e desço do táxi com as malas em mãos.
Acho minhas chaves e abro o portão
usando o restante do farol do táxi que está dando ré para ir embora, esta de
noite e faz frio, não tinha percebido até descer do táxi. Conseguindo abrir o
portão eu entro e já o tranco, caminho lentamente pela estrada de terra aberta
entre os pinheiros e fico grata pelo silêncio, é a melhor parte desse lugar, a
caminhada é um pouco longa, mas eu não ligo, eu adoro tudo aqui. Alguns minutos
mais tarde, avisto a cabana do meu avô, é linda e agradeço pelas luzes de fora
estarem acesas, o escuro estava começando a me deixar pensativa demais.
Deixo minhas malas na porta de
entrada e me afasto um pouco da cabana, tentando ver se tudo está em seu lugar,
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não era uma cabana grande, mas era pra cá que eu vinha quando era uma
adolescente errante que só queria dançar, vovô sempre me enviava as passagens
escondido e então eu vinha visitá-lo, vovô sempre me dissera “Eu odeio a
cidade, a cidade é solitária e rasga o coração das pessoas, por isso eu fico
aqui com meu cavalo e minha cabana”. Sorrio com a lembrança.
_O que a mocinha acha que está
fazendo invadindo área privada? – escuto Adam falar atrás de mim, me viro e o
encaro perplexa.
_Não se lembra de mim? – pergunto para
o homem de idade bem avançada que praticamente me viu crescer, ele tem mais
cabelos brancos do que me lembro e parece bem mais baixo e pálido.
_Helena? – ele pergunta duvidoso.
_Eu mesma seu velho rabugento. –
falo lhe dando um abraço apertado.
_Já se passaram tantos anos que
você não passa por aqui, nem percebi que era você. – ele se explica de soltando
e me avaliando. _Como você cresceu!
_Acho que você não me vê a pelo
menos sete anos. Devo ter crescido mesmo. – digo sorrindo para ele.
_Você nunca mais veio desde que
seu avô se foi. – ele fala entristecido, Adam e vovô foram sempre melhores
amigos, assim quando vovô faleceu por causa de um infarto, Adam decidiu ficar
cuidando da cabana.
_Eu não tive tempo. – explico tristemente,
meu avô era meu herói, ele quem me protegia do mundo e quando ele se foi, eu
fiquei a mercê de mamãe e papai.
_Vamos entrar você parece ter
frio. – Adam me acompanha até a porta e pega minhas malas para que possamos
entrar.
_Amanhã posso ir ver Shadow? –
pergunto já imaginando como o cavalo que vovô me comprou depois que o seu veio
a morrer, esteja grande e forte.
_Claro que pode! – Adam fala
levando minhas malas para um dos dois quartos que tem na cabana. _Ele está cada
dia mais rápido e forte, você vai amar sair com ele pela floresta. – fico animada
só de imaginar em cavalgar floresta adentro.
Me sento no pequeno sofá de dois
lugares que fica em frente a uma pequena TV apoiada no criado mudo que
pertencia a minha avó, nunca tive tempo de conhecer ela, morreu jovem. Suspiro
olhando para Adam na cozinha, ele está preparando chá, eu espero ansiosa, todas
as vezes que eu aparecia por aqui, vovô ou Adam me ofereciam uma xícara de chá
com biscoitos para que eu dissesse qual era o problema que havia me levado para
lá.
_Então o que aconteceu? – Adam pergunta
me dando uma xícara e um prato cheio de biscoitos de chocolate, apoio o prato
nas pernas e tomo um gole de chá, o calor me aquece, mas eu me sinto ficar
gelada no coração.
_Um garoto... Alias! Dois garotos.
– falo e Adam ergue uma sobrancelha, claramente confuso.
_Vamos precisar de mais chá e
biscoitos. – ele brinca.
Sorrio e lhe conto tudo. Digo que
desisti de meu sonho porque não queria magoar Liam, explico que amo Niall, mas
é meio estranho ele ter se declarado para mim justamente quando Liam ia fazer
justamente o mesmo e choro lembrando de como foi doloroso ver Liam desistindo
de tudo. Adam ouve tudo atentamente e depois de três xícaras de chá e uma
travessa de biscoitos, ele coloca a mão em meus ombros e me dá o melhor
conselho que alguém poderia me dar. Adam me disse para esperar, para me
concentrar no que meu coração dizia e esquecer de como Niall se sentia, ele me
disse para me concentrar apenas em Liam e em mim, porque desse jeito eu haveria
de encontrar uma resposta. Fui para meu quarto e dormi pensando em tudo que já
havia me acontecido e onde Liam se encaixava.
Acordei cedo por algum milagre,
aproveitei que Adam ainda estava dormindo, fiz um café da manhã reforçado, ovos,
bacon, panquecas, cookies e chá. Comi um pouco de cookies e tomei chá, coloquei
uma roupa confortável http://www.fashionvictim.com.br/wp-content/uploads/2013/09/emmy-06.jpg
e corri para ver Shadow. Quando alcancei o pequeno estábulo fiquei encantada ao
encontrar Shadow troteando pela terra, aquele cavalo parecia ter virado um
monstro de tão forte que estava e seu pelo negro brilhava com a constante luz
do sol, mas ainda fazia frio. Pulei a cerca e caminhei até ele, sem qualquer vestígio
de desconfiança, Shadow me deixou por a cela nele e depois o montar, dei
algumas voltas no estábulo e decidi que precisava ver se meu cavalo ainda dava
tudo de si.
Desmontei ele sem a menor
dificuldade, nem parecia que eu fiquei por tanto tempo sem montar, abri o
portão e depois o montei novamente, então lhe dei impulso e gargalhei quando
ele saiu correndo, seus cascos faziam um barulho incrivelmente forte quando se
chocavam com o chão, fiz com que ele corresse para a trilha que eu já havia
explorado várias vezes desde minha adolescência e que me levava a um grande
rio, Shadow deu o melhor de si, pulando, correndo e troteando pela trilha,
então finalmente chegamos ao rio, desci e ajudei Shadow a beber um pouco de
água, me sentei entre as pedras e fiquei observando com certa melancolia aquele
lugar que me trazia tantas felizes lembranças e me entristeci ainda mais,
quando me dei conta que Liam amaria viver em um lugar desses, quieto, acolhedor
e feliz.
Voltei para a cabana junto de Shadow, só que
dessa vez fomos bem devagar, troteando, observei como as folhas caiam
lentamente a minha frente, percebi que mesmo me sentindo em casa ainda faltava
alguma coisa, eu tinha essa necessidade de falar com Liam, tinha essa vontade
de colocar tudo em ordem, mas não havia passado tempo suficiente e eu ainda me
culpava por pensar mais Liam do que em Niall.
Adam estava na varando quando
voltei, tinha colocado Shadow no estábulo novamente e me sentei ao seu lado
limpando um pouco da sujeira de minha saia.
_Pensou um pouco? – ele perguntou
comendo um cookie.
_Mais do que devia. – murmuro.
_E vai fazer o quê? – ele pergunta,
sorrio para ele e dou de ombros.
_Não faço a menor ideia. –
sussurro derrotada, porque eu não sei o que fazer e muito menos para que lado correr.
E assim se passou uma semana,
minha indecisão me matando, a saudade aumentando e não só saudade de Niall, mas
de todo mundo, especialmente de Liam, e não queria admitir, mas eu sentia
saudades de como ele melhorava cada ensaio com suas piadas sem cabimento,
sentia falta de como ele perdia o foco na parte mais importante da dança e de
como ele sorria para mim. Eu jamais percebi como ele sorria para mim e nesse
tempo em que fiquei aqui, eu pensei em cada vez que Liam me olhou e sorriu e
foram praticamente todas às vezes.
Esta de manhã e eu sei o que meu
coração quer, sei o que ele esta dizendo, mas pela primeira vez na vida eu
tenho medo de escutá-lo. Eu tenho fechado meus olhos e meus ouvidos para cada
insinuação que meu coração me lança, ele sabe o que eu devo fazer, eu sei o que
devo fazer. Levanto do sofá quase que derrubando meus biscoitos e assustando
Adam que está na cozinha preparando o café da manhã, vou até meu quarto, tiro meu
pijama e coloco uma roupa melhor http://www.planetademujeres.com.mx/wp-content/uploads/emmy-rossum-legs-transparent-blue-dress.jpg
pego uma jaqueta jeans e saio em disparada para a cozinha, sorrio para Adam que
está me esperando na porta de entrada com as chaves da camionete de vovô nas
mãos.
_Acha que ela aguenta a viajem? –
pergunto duvidando um pouco da velha camionete de vovô.
_Eu troquei muitas coisas da
camionete e uma das coisas foi o motor, vai agüentar sim. – Adam me tranquiliza.
Dou um beijo em sua bochecha e
corro de encontro para a camionete http://image3.zeebukbrasil.com/rg4_board/img_brasil/116902_p3_camionete-pick-up-ford-f-10001985-f1000-motor-diesel-mwm-curitiba-assis-chateubriand-parana.jpg
, dou partida e dirijo velozmente até o portão que já está aberto, sorrio, Adam
abriu e vejo pelo retrovisor que ele vem caminhando para fechá-lo.
Em pouco tempo já estou na
rodovia, dirijo dentro do limite, mas minha vontade é de pisar fundo, quero
chegar logo na casa de Liam, dou graças mentalmente por ele ter feito um jantar
de natal para o pessoal mais chegado da banda na casa da mãe dele, e me
surpreendo por ainda me lembrar do caminho. A estrada parece sem fim, eu quero
chegar na casa de Liam antes do entardecer. Mal vejo a hora de abraçar Liam e
esclarecer essa confusão que se instalou na minha cabeça.
Algumas horas depois chego na
entrada da cidade, vou procurando pelos nomes das ruas, já passou da hora do
almoço e meu estomago começou a protestar, felizmente acho a casa da mãe de
Liam, estaciono impaciente e desço correndo da camionete, ando até a porta e
toco a campainha. Arrumo constantemente meu vestido, olho para os lados e toco
mais uma vez a campainha. A porta se abre a mãe de Liam me olha com desgosto.
_Liam não está. – ela fala e quase
fecha a porta na minha cara, mas eu seguro.
_Eu não posso esperar por ele? –
pergunto. _É importante. – acrescento rapidamente.
_Não, não pode esperar por ele,
não pode falar com ele, alias, não sei o que mais quer dele, já o quebrou por
completo. – ela cospe as palavras e parece que eu levei um tapa na cara.
_Mas é importante, eu preciso que
ele me escute. – peço mais uma vez.
_Deixe Liam em paz, tenho certeza
que ele também não quer falar com você. – ela fala com desdém.
_Então lhe entre isso. – digo lhe
dando um cartão. _É o endereço de onde estou ficando, a escolha é dele. – ela pega
o cartão e fecha a porta na minha cara.
Volto para o carro e grito. Eu não
acredito que ele não quer me ver! É claro que ele está em casa, se está tão destruído
como sua mãe diz, nem deve sair de casa. Dou um soco no volante. Logo agora que
eu tomei coragem de falar com ele. Liam se recusando a falar comigo, se
recusando a sorrir para mim e se recusando a me ouvir. Dirijo de volta para a
cabana e quando entro naquele pequeno espaço, choro ao ver que Adam está
sorrindo, ele espera boas noticias, mas eu choro e corro para meu quarto. Eu também
esperava boas noticias.
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